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Archive for the ‘Literatura’ Category

Este verão, destacam-se três lançamentos fora das habituais sequelas de livros de fantasia já existentes no mercado português.

São eles Ar de Geoff Ryman pela Gailivro, O Dragão de Sua Majestade de Naomi Novak da Editorial Presença e Leões de Al-Rassan de Guy Gavriel Kay da Saída de Emergência. Três excelentes escolhas nos géneros da ficção científica e fantasia histórica nos casos de Novak e Kay.

Geoff Ryman é um escritor de ficção científica que estabeleceu a sua reputação como um dos mais interessantes e aclamados autores da literatura especulativa com Ar (Air). Natural do Canadá, e a viver actualmente na Inglaterra onde lecciona na Universidade de Manchester, ganhou notoriedade com a sua novela The Unconquered Country, vencedor do World Fantasy Award e British Science Fiction Award.

O seu primeiro romance de sucesso foi Child Garden (1990), a descrição de um mundo transformado pelos progressos da engenharia genética e onde o cancro foi curado. O livro foi traduzido para português na extinta colecção Limites da Clássica Editora como Jardim da Infância.

Na década de 90 e inícios do novo século, seguiram-se Was e Lust , mas é em 2005 que volta a concentrar atenções com Ar, que conquistou três prémios, incluíndo o Prémio James Tiptree Jr.

Ar (Ter ou Não Ter) é um livro de ficção científica que conta a história de Chung Mae que é a única ligação entre os seus vizinhos e a cultura de um mundo mais abrangente, e que vai para além dos campos de cultivo e das casas simples da sua aldeia. Uma nova tecnologia de comunicação, que promete colocar toda a gente em contacto, em qualquer lugar, sem precisar de linhas eléctricas, computadores ou máquinas, está a invadir o mundo. Esta tecnologia é o Ar. O teste inicial do Ar corre terrivelmente mal e algumas pessoas morrem devido ao choque. Imparável, o Ar chegará com ou sem a aceitação da aldeia de Mae. Ela é a única que sabe como o dominar e como preparar a população para a sua chegada. Mas será que lhe vão dar ouvidos? Ou será tarde demais?

O Dragão de Sua Majestade (His Majesty’s Dragon) é uma fantasia histórica da autoria de Naomi Novak que se tornou famosa com a notícia em 2007 de que o realizador Peter Jackson comprara os direitos de adaptação da série Teméraire. A obra valeu-lhe os prémios Locus e Crompton Crook, por melhor primeiro romance.

Naomi Novak, natural de Nova Iorque, explora o cenário das Guerras Napoleónicas e cria no seu meio uma força de dragões pilotada por aviadores britânicos, determinados a lutar contra Napoleão e impedir o avanço do seu exército. Este é o primeiro livro da série Témeraire, e a autora recentemente lançou o 5º volume, Victory of Eagles.

Para uma resenha mais completa, podem ler o texto da minha autoria aqui.

E por fim, já se encontra disponível também Os Leões de Al-Rassan (Lions of Al-Rassan) do canadiano Guy Gavriel Kay. Kay, conhecido entre os fãs de JRR Tolkien pelo seu trabalho de edição de O Silmarillion juntamente com Christopher Tolkien (o filho), teve o seu primeiro sucesso com a trilogia de fantasia de inspiração Tolkieniana/Arturiana A Tapeçaria de Fionavar (publicada em português na Argonauta Gigante).

Mas foi no género da fantasia histórica que provou o seu talento em obras como Tigana, The Sarantine Mosaic, The Last Light of the Sun e Leões de Al-Rassan, uma narrativa grandemente inspirada nos acontecimentos históricos da Península Ibérica durante o domínio mourisco e árabe.

Numa terra onde dominam três raças distintas, os Asharitas, Jaditas e Kindath, irrompe um conflito de civilizações que implica consequência devastadoras como guerra, traição e violência. Criando personagens memoráveis pertencentes a estas três raças distintas como Ammar ibn Khairan de Aljais, um soldado poeta de grande influência e poder, a física Jehane e o mercenário Rodrigo Belmonte , Kay narra com grande lirismo e intensidade emocional uma poderosa e excitante história que irá ditar o fim de velhos impérios e o início de uma nova era.

Três escolhas dentro da literatura fantástica que aplaudimos e que já se encontram disponíveis nas livrarias portuguesas.

Ar, Ter ou Não Ter, Geoff Ryman, Gailivro P.V.P.: 17,90 €

O Dragão de Sua Majestade, Naomi Novak P.V.P: 17 €

Os Leões de Al-Rassan, Guy Gavriel Kay, Saída de Emergência P.V.P: 22,94€

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o Verão não pára com a presença de autores internacionais de literatura fantástica em Portugal. Aclamada como sucessora de Marion Zimmer Bradley e vencedora de vários prémios internacionais, Juliet Marillier é uma das mais bem sucedidas escritoras de fantástico da actualidade.

A escritora natural da Nova-Zelândia estará em Portugal nos próximos dias 16 e 17 de Julho para promover o seu novo livro, Danças na Floresta, publicado pela editora Bertrand. Marillier atingiu o sucesso com a sua famosa saga Sevenwaters (Filha da Floresta, Filho das Sombras e Filha da Profecia), uma fantasia histórica baseada no mito celta dos seis cisnes.

Posteriormente, Marillier publicou a Saga das Ilhas Brilhantes, constituída por dois volumes, O Filho de Thor e Máscara de Raposa, tendo a autora na altura da publicação visitado pela primeira vez Portugal, a convite da Bertrand.

O contínuo sucesso da escritora levou à publicação de mais uma trilogia de fantasia histórica, As Crónicas de Bridei – O Espelho Negro, A Espada de Fortriu e O Poço das Sombras – centrado na história de Bridei, rei de Fortriu.

Presentemente, será por ocasião do novo livro da autora, Danças na Floresta (Wildwood Dancing), inspirado num conto de fadas de As Doze Bailarinas, que os admiradores de Juliet Marillier poderão assistir à apresentação e sessão de autógrafos no dia 17 de Julho, na Fnac Colombo, por volta das 18h.

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Já para a semana, no dia 16 de Julho, a editora Livros de Areia promove um encontro entre o escritor Bruce Holland Rogers (autor de Pequenos Mistérios, lançado no Fórum Fantástico 2007) e o jornalista e escritor José Mário Silva (autor de O Efeito Borboleta e Outras Histórias, Oficina do Livro), na livraria Pó dos Livros, para falarem sobre e lerem micro-ficção.

Não percam esta iniciativa que se tornou graças à visita de Bruce Holland Rogers a Portugal por ocasião do curso de escrita criativa que irá ser leccionado na Faculdade de Cièncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

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Com organização a cargo da editora Saída de Emergência, Épica – Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes, e com o apoio da Embaixada dos Estados Unidos da América, o autor norte-americano George R. R. Martin visitará Portugal na próxima semana.

Os leitores portugueses de fantástico terão agora a oportunidade raríssima e provavelmente irrepetível de conhecer pessoalmente um dos mais reputados autores mundiais da literatura fantástica, autor da aclamada série The Song of Ice and Fire, que tem vindo a ser publicada em Portugal pela editora Saída de Emergência sob o título As Crónicas do Gelo e do Fogo.

George R.R. Martin, natural de New Jersey, iniciou a sua carreira na década de 1970 escrevendo ficção curta, o que lhe valeu vários prémios Hugo e Nébula. Alguns anos depois, começa a escrita de romances.

Nos anos oitenta dedica-se ao trabalho de argumentista para televisão, nomeadamente nas séries premiadas A Bela e o Monstro e A Quinta Dimensão. Como editor, organizou a série de livros Wild Cards. Também nesta altura, viu um dos seus contos ser adaptado para o cinema: Nightflyers (1987).

Em 1996, George R. R. Martin voltou à escrita de romances, iniciando a série As Crónicas do Gelo e do Fogo, conjunto de livros que tem sido elogiado pela crítica como a fantasia épica mais bem sucedida desde O Senhor dos Anéis, de JRR Tolkien., tendo ocupado já o primeiro lugar nas tabelas de best-sellers do New York Times e do Wall Street Journal. A série está presentemente a ser adaptada e filmada para televisão.

Para além dos seus livros de fantasia, desenvolveu uma obra notável também no campo da ficção científica com títulos como A Song for Lya, Dying of the Light, Sandkings, Songs of Stars and Shadows, entre outros. É membro da Science Fiction Writers of America (tendo sido Vice-Presidente de 1996-98 ) e da Writer’s Guild of America.

Foi também professor de jornalismo (do qual é Mestre) e leccionou em vários cursos de escrita criativa.

Segue em baixo o programa de eventos públicos nos quais o autor estará presente. Todos os eventos são de entrada livre e não necessitam de pré-inscrição. Contamos com o vosso apoio para acolher um dos mais celebrados escritores mundiais da literatura especulativa, que tem já os primeiros dois volumes das Crónicas publicados em português.

Dia 1 de Julho
Sessão no El Corte Ingles – 18h30
Palestra sobre Crónicas de Gelo e Fogo com moderação de Safaa Dib
Respostas a perguntas dos fãs
Sessão de autógrafos
Pré lançamento exclusivo do 5º volume (português) da série (oportunidade única de ter o livro mais cedo pois só chegará às livrarias dia 11 de Agosto)

Dia 2 de Julho
FNAC Colombo – 19h

Workshop para aspirantes a escritores com moderação de Jorge Candeias
(tradutor da obra de George R. R. Martin)

Dia 5 de Julho
Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro – 16h

Horizontes da Literatura Fantástica com a participação de George R. R. Martin em sessão orientada por Rogério Ribeiro, João Seixas e outras individualidades a confirmar

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Após o estrondoso sucesso do romance de estreia de Susanna Clarke , Jonathan Strange e o Sr. Norrell, eis que a editora Casa de Letras publica o seu segundo livro, a colectânea de contos As Senhoras de Grace Adieu (The Ladies of Grace Adieu and Other Stories).

Oriunda de Nottingham, Inglaterra, após concluir a licenciatura em filosofia e política em Oxford, Susanna Clarke desenvolve trabalho para várias editoras nos anos seguintes. Mais tarde, decide partir para o continente, onde lecciona aulas de inglês. Na década de 90, de regresso a Inglaterra, começa a escrever alguns dos contos que iriam dar origem ao romance fantástico de história alternativa, Jonathan Strange & Mr. Norrell, em que a sociedade inglesa do séc. XIX é estranhamente assolada pelas acções e excentricidades de dois mágicos.

A publicação em 2004 do romance de 800 páginas teve um grande impacto mediático e nos meses seguintes Clarke viria a atingir o topo das listas de vendas de New York Times, arrecadando vários prémios pelo caminho como o World Fantasy Award.

Susanna Clarke encontra-se actualmente a escrever um livro passado no mesmo mundo alternativo vitoriano, vários anos depois dos eventos de Jonathan Strange & Mr. Norrell, e centrado em novas personagens. Mas enquanto não está concluído o seu novo romance, a autora publicou uma colectânea de oito contos inseridos no mesmo universo, onde não falta o toque único e mágico das maravilhosas narrativas de Clarke.

Entre os heróis e heroínas que povoam estes contos de fadas podemos encontrar o duque de Wellington ou Maria Stuart, rainha da Escócia, assim como personagens que já habitavam o livro anterior – sem dúvida uma das obras mais brilhantes e originais dos últimos anos – como o próprio Jonathan Strange e o legendário Rei Corvo.

Misturando harmoniosamente a fina comédia social vitoriana com temas clássicos do imaginário britânico, e o rigor histórico com uma desconcertante e fértil imaginação, Susanna Clarke transporta o leitor a um mundo singular e inesperado, cuja atmosfera possui o sabor simultaneamente fascinante e temível dos sonhos.

Susanna Clarke, As Senhoras de Grace Adieu, Casa das Letras P.V.P.: 15,00 €

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Estamos prestes a revelar o segredo mais bem guardado de todos os tempos. Joe Hill é filho de Stephen King. Ou talvez não seja afinal o mais bem guardado de todos os tempos, embora tenha sido em tempos antigos. Apesar do nome gigante do pai e do seu inestimável contributo para a literatura de horror norte-americana (quem nunca leu ou viu um filme baseado na obra de Stephen King?), Joe Hill não é nenhum mero jovem e inexperiente escritor que tenta ganhar um nome à custa do pai, muito pelo contrário.

É, na realidade, um escritor muito talentoso e o seu primeiro livro Twentieth Century Ghosts, uma colectânea de catorze contos, já então revelava uma voz fresca e segura no domínio da ficção de horror, tendo recebido o Bram Stoker Award e o British Fantasy Award for Best New Horror.

Joe Hill começou a fazer o seu nome graças a editoras independentes britânicas e norte-americanas, tendo visto vários dos seus contos e noveletas publicados em revistas e antologias, algumas comercialmente bem sucedidas. Embora há anos circulassem rumores sobre a sua identidade, em 2007 confirmou publicamente a sua relação com Stephen King.

Em Fevereiro de 2007, publicou o seu primeiro romance, Heart Shaped Box, e rapidamente tornou-se um enorme sucesso literário, tendo atingindo a lista de livros mais vendidos da New York Times.

Mais recentemente, o autor deu início à criação de uma série de banda-desenhada, Locke & Key, em colaboração com a IDW Publishing.

Agora disponível na edição portuguesa, A Caixa em Forma de Coração, o leitor português tem acesso a uma das vozes mais criativas do género do horror a surgir nos últimos anos, autor de um romance que conta a história de um coleccionador de curiosidades mórbidas que se vê envolvido numa perigosa confrontação com fantasmas que não descansarão até obterem vingança.

Judas Coyne colecciona o macabro: um livro de receitas para canibais… uma corda usada num enforcamento… um filme snuff. Uma lenda do death metal de meia-idade, o seu gosto pelo bizarro é tão conhecido entre a sua legião de fãs como os excessos da sua juventude. Mas nada do que ele possui é tão inverosímil ou tão medonho como a sua última descoberta…

Um artigo à venda na Internet, uma coisa tão estranha que Jude não consegue resistir a pegar na carteira. “Vendo” o fantasma do meu padrasto a quem fizer a licitação mais alta. Por mil dólares, Jude tornar-se-á o orgulhoso dono do fato de um homem morto que se diz estar assombrado por um espírito inquieto. Ele não tem medo. Passara a vida a lidar com fantasmas – o fantasma de um pai violento, o fantasma das amantes que abandonara sem compaixão, o fantasma dos companheiros de banda que traíra. Que importância teria mais um? Mas o que a transportadora entrega à sua porta numa caixa preta em forma de coração não é um fantasma imaginário ou metafórico, não é um benigno motivo de conversa. É real.

O livro será adaptado para o cinema num filme a ser realizado por Neil Jordan, a estrear em 2010.

A Caixa em Forma de Coração, CIvilização Editora, P.V.P.: 16,50 €

Site para A Caixa em Forma de Coração (inglês)

Site oficial de Joe Hill

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Em 2006, foi criada a revista Bang!, dirigida pelo editor da Saída de Emergência, Luís Corte Real, com Rogério Ribeiro a assumir a responsabilidade do cargo de editor. Apesar dos esforços de divulgação, a revista em formato papel deu origem apenas a 3 números (incluíndo o número 0). Todavia, assistindo-se a um contínuo interesse do público pela literatura fantástica, assim como, um crescente número satisfatório de downloads de outros ebooks produzidos, foi decidida a continuação da Bang! em formato digital gratuito. Nas palavras do editor Luís Corte Real:

Depois de três números (porque o n.º 0 também conta), chegámos à conclusão que era trabalho a mais para colocar apenas 250 revistas nas livrarias. Revistas essas que se vendiam a 3.90 € cada (caras, portanto) e que mesmo assim não se conseguiam pagar (prejuízo, portanto). […] Chegámos portanto à conclusão que das duas, uma: ou cancelávamos a Bang! ou encontrávamos uma alternativa. A alternativa que escolhemos foi a que tem em frente aos olhos. A Bang! deixou de ser uma revista com apenas 250 exemplares em papel para se transformar num PDF que contamos ter milhares de downloads.

A nova edição que surge conta com mais páginas e textos maiores. Dois ensaios merecem particular destaque, Sobre o Fantástico na Literatura Portuguesa por David Soares e A Perspectiva Alienígena por João Seixas. Não poderia deixar de destacar também o texto do Rogério Ribeiro sobre o Fórum Fantástico 2007, Apanhar as canas do FF2007.

E os leitores potenciais escritores podem começar a limpar o pó de manuscritos, se querem participar no Prémio Bang! 2008, cujo regulamento encontra-se disponível no ebook. Espera-se que a criação deste prémio possibilite o surgimento de novas vozes portuguesas na área do fantástico.

No campo da ficção, há muito por onde escolher. Começamos por um texto da autoria de João Barreiros, Fantascom, sobre uma inusital covenção de literatura fantástica, e ainda um conto de Vasco Luís Curado em que a tentativa de apagar um antigo amor da memória tem consequências trágicas. Destaque também para Dois Contos Súbitos de Luís Filipe Silva.

Material não falta para abrir o apetite e a participação na Bang! está aberta a todos os interessados, uma vez que a revista oferece ainda incentivos adicionais para quem quiser experimentar a sua sorte e submeter contos ao editor.

Podem fazer aqui o download da única revista portuguesa de fantástico.

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Em 2004, um novo escritor britânico contemporâneo foi revelado, um capaz de rivalizar com o talento de autores prestigiados como Ian McEwan e J. G. Ballard.

David Mitchell, natural de Lancashire, Inglaterra, formou-se na Universidade de Kent em Literatura Inglesa e Norte-Americana.

Como professor de língua inglesa, passou vários anos a viajar e após viver um ano em Sicília, Itália, mudou-se para o Japão onde durante oito anos deu aulas de inglês.

O seu primeiro romance, Ghostwritten, laureado por A.S. Byatt como um dos melhores romances de estreia em muitos anos, apresenta nove narradores contando histórias que se interligam, de Nova Iorque a Okinawa e Mongólia.

O Japão acabaria por ser uma influência determinante na sua experiência como escritor, sendo o cenário eleito para o seu segundo romance, Number9dream, a história de um rapaz de nome Eiji Miyake e a sua busca por um pai que não conhece.

Um escritor muito ambicioso, e conhecido pelas suas narrativas complexas e multifacetadas, foi com a publicação de Atlas das Nuvens (Cloud Atlas) em 2004, que se consagrou como um dos mais talentosos e promissores jovens escritors britânicos.

Nomeado para o Man Booker Prize, Atlas das Nuvens, agora também disponível numa edição portuguesa, relata seis narrativas interligadas, começando pelo Pacífico Sul no século XIX ao encontro de um futuro onde grande parte da Humanidade pereceu numa catástrofe nuclear.

Um viajante forçado a atravessar o Oceano Pacífico em 1850; um jovem compositor deserdado, conquistando à força de tortuosas invenções um modo de vida precário num solar da Bélgica, entre a Primeira e a Segunda Grande Guerra; uma jornalista com princípios morais na Califórnia do governador Reagan; um editor menor fugindo aos seus credores mafiosos; o testamento de uma ‘criada de restaurante’ geneticamente modificada, ditado na ala da morte; e Zachry, jovem ilhéu do Pacífico que assiste ao crepúsculo da ciência e da civilização. São narradores que escutam os ecos uns dos outros e vêem os seus destinos alterados.

Atlas das Nuvens (2004), para além de ter sido um dos finalistas do Man Booker Prize, em 2005 recebeu o Literary Fiction Award e o Richard & Judy Best Read of the Year dos British Book Awards. De notar que foi também um dos romances no campo da ficção científica mais laureado em tempos recentes, tendo recebido nomeações para os prémios Nébula e Arthur C. Clarke, entre outros.

O seu último romance lançado em 2006, Black Swan Green, semi-autobiográfico, conta a vida de um adolescente de 13 anos durante um mês. O próximo romance de Mitchell, previsto para 2009, embarca numa viagem ao tempo histórico do Sakoku, o período de auto-isolamento do Japão e a sua relação com a ilha de Dejima, um posto comercial holandês e a única influência europeia permitida no Japão no tempo do Sakoku.

David Mitchell, Atlas das Nuvens, D. Quixote, 27, 75 euros

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Uma publicação de todo inesperada da editora mais inesperada.

Quicksilver, o romance de Neal Stephenson, acaba de ser lançado nas livrarias portuguesas pela editora Tinta da China, sob o título Argento-Vivo. Numa edição de excelente qualidade, eis que chega o I volume do Ciclo Barroco, constituído por 8 volumes (originalmente publicados em três livros).

O autor norte-americano, natural de Maryland, EUA, provém de uma família de cientistas e engenheiros que estimularam a sua vocação para as ciências. Começou a escrever nos anos 80, mas foi apenas com a publicação de Snow Crash, em 1992, um dos mais importantes títulos a epitomizar a cultura cyberpunk, que o autor se tornou popular no género da ficção científica.

Argento-Vivo narra a história do protagonista Daniel Waterhouse, no tempo da Restauração da dinastia Stuart em Inglaterra, no séc. XVII. Daniel é um amigo de Isaac Newton e assiste às espantosas transformações que se operam na sua época onde uma nova forma de pensamento começa a ditar as regras, abrindo passagem à era da ciência.

A erudição, o rigor e a imaginação de Stephenson tornaram o Ciclo Barroco uma das mais interessantes séries de romances histórico-alternativos, compondo um ambicioso retrato sobre o nascimento da ciência.

O Ciclo Barroco é constituído pelos romances Quicksilver, The King of Vagabonds, Odalisque, Bonanza, The Juncto, Solomon’s Gold, Currency e System of a World. Existe também o livro Cryptonomicon, cujos acontecimentos incidem em eventos do séc. XX.

O romance histórico-científico que, com personagens como Leibniz e Newton, reconstitui o nascimento da ciência moderna. Um romance extraordinariamente rico, divertido e infinitamente imaginativo que confere vida plena aos acontecimentos mais significativos de uma época histórica notável.

Neal Stephenson, Argento-Vivo, Tinta da China, P.V.P.: 22.41 €

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O primeiro volume de uma saga de fantasia é sempre especial. Para além da óbvia função de introduzir pela primeira vez um leitor num universo com regras específicas e totalmente distanciadas do mundo real que conhecemos, é o livro que conserva um sentimento de nostalgia para o leitor interessado. Nostalgia pelo passado da história que estamos a ler, pois ela já avançou bastante no futuro. E nostalgia também por aquele prazer da descoberta aquando a primeira leitura. Claro que isto só é válido para os que se deixam seduzir pelo contador de histórias em questão.

Quer isto dizer que o primeiro volume é sempre aquele em que revemos as personagens e enredos numa posição ainda de inocência e descrença pelas circunstâncias em que subitamente se viram forçados a enfrentar. Todos os inícios são pautados pela inocência. E isto é ainda mais verdade em O Olho do Mundo de Robert Jordan.

 

Após 11 volumes, é difícil recordarmo-nos de como as personagens viveram antes de conhecerem a verdade sobre elas próprias, a verdade de que há mais coisas no céu e na terra para além dos limites da comunidade rural e que, subitamente, os elementos das trevas que eles julgam existir apenas em pesadelos ou histórias de velhas tontas, materializam-se bem no limiar das próprias casas.

Mas passemos à história em si. Existiu uma antiga guerra. Uma guerra tão fatal que quebrou o mundo e dispersou os povos em ruínas. A batalha deu-se entre as classes mais poderosas, os Aes Sedai. Homens e mulheres com a capacidade de manipular o poder cósmico que gira a Roda do Tempo. Se são suficientemente afortunados para nascer com esse talento inato, crescem e são treinados para se tornarem Aes Sedai.

Alguns juraram servir o campeão da Luz, encarnado em Lews Therin Telamon, o Dragão. Outros traíram os seus pares e aliaram-se a Shaitan, o Destruidor. O prólogo de O Olho do Mundo narra os finais acontecimentos dessa guerra e como Lews Therin Telamon sucumbiu à loucura causada pelas suas próprias mãos. Ao aprisionar Shaitan, o contra-ataque do Senhor da Escuridão manchou a parte masculina do poder da Roda do Tempo. E assim todos os homens Aes Sedai enlouqueceram e a destruição que causaram com a sua insanidade foi a que arrasou o mundo.

Este é o background mitológico essencial que dinamiza todo o enredo de A Roda do Tempo. A criatividade envolvida na construção deste corpus mitológico é um dos factores que deve servir de avaliação da qualidade de qualquer saga de fantasia, e posso dizer que o autor criou algo de singular e irrepetível, exclusivo apenas ao nome Robert Jordan.

O escritor descreveu os seus heróis masculinos como destruidores, temidos mais do que tudo pela Humanidade, e o modo como, três mil anos depois, ainda são temidos, afecta todo o enredo. Profecias indicam que Thelamon, o Dragão, irá reencarnar num novo paladino da Luz, mas ninguém deseja uma nova confrontação que irá trazer os ventos de Tarmon Gai’don, A Última Batalha.

No entanto, o destino começa a ditar as regras e, um dia, Moiraine Sedai chega a uma pequena vila onde descobre três jovens rapazes. A sua busca, que já durava há mais de vinte anos, chegara ao fim e sabia que um desses rapazes se iria tornar o homem mais temido e odiado do mundo, a reencarnação do Dragão. Era importante manipulá-lo e submetê-lo à vontade da classe feminina Aes Sedai.

É o encontro de Moiraine Sedai e Lan, o seu guarda, com Rand Al’Thor, Perrin Aybara, Matt Cauthon, juntamente com Nynaeve Al’Meara e Egwene Al’Vere que inicia a saga A Roda do Tempo e transporta-a muito para além da pequena vila, cruzando muitos reinos, muitos povos, muitos perigos, muitas verdades e traições, muitas mentiras e confrontações, muitas alianças e paixões.

Cada personagem pertence a uma terra com traços sociológicos e culturais distintos e a atenção aos detalhes enriquece a trama e dota-a de descrições aprofundadas e vívidas. Os mitos e a História fundem-se e todo o passado renasce de novo, tornando importante a tarefa de preservar esse legado histórico e mitológico. Nunca esquecerei quando descobri pela primeira vez a história de Lan, o companheiro de viagem de Moiraine, the Uncrowned King of Malkieri. Ou quando Moiraine revelou aos aldeões de Two Rivers o seu passado histórico, uma história de bravura e resistência quase inteiramente esquecida.

Rand é uma personagem ainda demasiado inocente neste livro, tentando escapar ao seu destino, recusando-se a aceitar a verdade. É um pobre camponês em cujas veias escorre o sangue de reis e guerreiros, mas ainda irá levar tempo até aceitar a inevitabilidade do seu destino.

Até lá, deixamo-nos levar pelas suas aventuras e a dos seus companheiros, liderados por Moiraine, a Aes Sedai sempre ambígua e nunca de total confiança. Matt Cauthon é o comic-relief da série, Perrin Aybara é um bom rapaz, mas atormentado por coisas que não consegue ainda compreender. Egwene e Nynaeve, a seu tempo, irão ascender em poder e influência, tornando-se peças vitais no tabuleiro.

Em O Olho do Mundo temos o primeiro vislumbre, mas ainda nos seus primórdios, da arquitectura épica que ainda está para vir e que atingirá a força total no 4º volume, A Sombra Alastra, esse sim, um épico em todas as palavras. Conheceremos ainda muitos povos e os seus costumes, e cada um terá uma importância que Rand não poderá ignorar.

Para quem gostaria de ficar a conhecer um pouco melhor da verdadeira fantasia épica, Robert Jordan é leitura obrigatória.

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