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Archive for Abril, 2008

Early in the 21st Century, THE TYRRELL CORPORATION advanced Robot evolution into the NEXUS phase—a being virtually identical to a human—known as a Replicant.
The NEXUS 6
Replicants were superior in strength and agility, and at least equal in intelligence, to the genetic engineers who created them.
Replicants were used Off-world as slave labor, in the hazardous exploration and colonization of other planets.
After a bloody mutiny by a NEXUS 6 combat team in an Off-world colony,
Replicants were declared illegal on earth—under penalty of death.
Special police squads—BLADE RUNNER UNITS—had orders to shoot to kill, upon detection, any trespassing
Replicant. This was not called execution.
It was called retirement.

É com estas linhas que abre o filme Blade Runner – Perigo Iminente, um dos grandes clássicos do cinema de ficção científica de regresso às salas de cinema. Por ocasião dos 25 anos desde a sua data de estreia, é exibido o final cut, considerada a versão defintiva pelo seu realizador, Ridley Scott.

O filme teve um tremendo impacto em toda a produção cinematográfica do final do século, com os seus cenários distópicos futuristas, criando um futuro negro e verosímil, que desafia o espectador a reflectir sobre as grandes questões da Humanidade, sobre vida e imortalidade, sobre o inevitável avanço da tecnologia e a decrepitude da raça humana, sobre o papel divino de Homem e a sua incapacidade para lidar com a sua criação. Há muito a dizer sobre o filme, abrindo portas para um poço inesgotável de questões.

Baseado na obra de Phillip K. Dick, Do Androids Dream of Electric Sheep?, o filme estreou pela primeira vez em 1982, tendo então sido um fracasso de bilheteira. Sucessivas gerações de espectadores reconheceram-no como uma obra-prima e rapidamente tornou-se um filme de culto, sendo hoje considerado pelo público e crítica como um dos filmes pós-modernistas mais influentes do século XX.

A história envolve um Blade Runner de nome Rick Deckard (Harrison Ford) que é forçado a ir em perseguição de cinco replicantes foragidos em liberdade no planeta Terra. Como líder dos replicantes, Roy Batty (Rutger Hauer) sabe que em breve eles irão morrer, devido a um mecanismo de segurança que limitou a vida dos replicantes a apenas quatro anos. Desesperado para prolongar a vida e evitar a morte, confronta o seu próprio criador, a Tyrrell Corporation.

À medida que envelhecem, os replicantes gradualmente tornam-se cada vez mais humanos e anseiam por experiências emocionais. São anjos perfeitos caídos em desgraça e Roy lamenta o fim prematuro das coisas que viu e experienciou. A sociedade mostra nenhuma compaixão para com estas máquinas avançadas e, um por um, são abatidos.

Mesmo com a angústia que aparentemente habita o coração da história, o amor sobrevive e a luz que bate nos rostos das personagens é a luz de uma ténue esperança num mundo em que o Homem perdeu o controlo das suas acções e onde as máquinas se tornaram o nosso próprio Lúcifer incompreendido e marginalizado pelos céus inclementes.

As temáticas filosóficas e humanísticas presentes em Blade Runner , juntamente com os cenários urbanos distópicos e depressivos, e uma assombrosa banda sonora ao cuidado dos Vangelis, dotaram o filme de uma profundidade raramente vista num filme de ficção científica e tornou-o o exemplo máximo de excelência que ainda hoje não foi igualado, num tempo em que o cyberpunk e thrillers futuristas pós-apocalípticos abundam nas livrarias e salas de cinema.

Não percam a experiência única de ver Blade Runner num ecrã de cinema. Podem encontrá-lo em exibição nos salas de cinema Corte Ingles, em Lisboa.


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Após o estrondoso sucesso do romance de estreia de Susanna Clarke , Jonathan Strange e o Sr. Norrell, eis que a editora Casa de Letras publica o seu segundo livro, a colectânea de contos As Senhoras de Grace Adieu (The Ladies of Grace Adieu and Other Stories).

Oriunda de Nottingham, Inglaterra, após concluir a licenciatura em filosofia e política em Oxford, Susanna Clarke desenvolve trabalho para várias editoras nos anos seguintes. Mais tarde, decide partir para o continente, onde lecciona aulas de inglês. Na década de 90, de regresso a Inglaterra, começa a escrever alguns dos contos que iriam dar origem ao romance fantástico de história alternativa, Jonathan Strange & Mr. Norrell, em que a sociedade inglesa do séc. XIX é estranhamente assolada pelas acções e excentricidades de dois mágicos.

A publicação em 2004 do romance de 800 páginas teve um grande impacto mediático e nos meses seguintes Clarke viria a atingir o topo das listas de vendas de New York Times, arrecadando vários prémios pelo caminho como o World Fantasy Award.

Susanna Clarke encontra-se actualmente a escrever um livro passado no mesmo mundo alternativo vitoriano, vários anos depois dos eventos de Jonathan Strange & Mr. Norrell, e centrado em novas personagens. Mas enquanto não está concluído o seu novo romance, a autora publicou uma colectânea de oito contos inseridos no mesmo universo, onde não falta o toque único e mágico das maravilhosas narrativas de Clarke.

Entre os heróis e heroínas que povoam estes contos de fadas podemos encontrar o duque de Wellington ou Maria Stuart, rainha da Escócia, assim como personagens que já habitavam o livro anterior – sem dúvida uma das obras mais brilhantes e originais dos últimos anos – como o próprio Jonathan Strange e o legendário Rei Corvo.

Misturando harmoniosamente a fina comédia social vitoriana com temas clássicos do imaginário britânico, e o rigor histórico com uma desconcertante e fértil imaginação, Susanna Clarke transporta o leitor a um mundo singular e inesperado, cuja atmosfera possui o sabor simultaneamente fascinante e temível dos sonhos.

Susanna Clarke, As Senhoras de Grace Adieu, Casa das Letras P.V.P.: 15,00 €

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Todos aqueles que aspiram ao estatuto de escritor secretamente alimentam a crença de que as suas escritas são o tesouro no covil do dragão, à espera de ser descoberto por algum intrépido editor.

Independentemente do valor ou não da escrita, a maioria encara os concursos literários como instrumentos para atingir fortuna e fama. Se o concurso for ganho, a tão desejada publicação do manuscrito é finalmente concretizada, e não faltará muito para ver o livro em todas as livrarias. Talvez. Ou talvez não.

Há concursos literários e há concursos literários. E é importante que o indivíduo que esteja disposto a arriscar a sua sorte nestes concursos, tenha o discernimento suficiente para saber distinguir o trigo do joio, para saber quando esses concursos estão realmente interessados em promover a literatura e tudo o que esta tem de melhor, ou se não estarão antes interessados em obter dinheiro através de estratégias condenáveis e reprováveis.

Serve este post para alertar os eventuais candidatos a título de escritor de que há concursos que, por detrás de uma fachada de genuíno interesse por divulgação de novos autores, escondem uma ganância e um desejo de engordar o saldo da conta bancária à custa da ingenuidade ou desconhecimento das pessoas.

E quem fala em concursos, fala também de editoras, as verdadeiras responsáveis por essas tácticas dúbias.

Passando a exemplos mais concretos, quando devem desconfiar de um concurso literário ou não?

Se prometer direitos de publicação ao vencedor sem este ter direito a qualquer ónus.

Se implicar a cedência de direitos autorais sem estarem os termos bem definidos.

Se prometer a impressão de uma tiragem limitada e impor ao vencedor o pagamento de “x” quantia de livros impressos.

Se cobrar pela inscrição no concurso. Isso não quer dizer que o concurso seja uma fraude, mas é um sinal de alerta (especialmente em Portugal).

Devem verificar sempre a legitimidade da entidade que está a promover o concurso. Se for uma casa ou instituição de mérito ou prestígio reconhecido, há menos sinais para desconfiar (embora isso não queira dizer que não devam ler SEMPRE o regulamento com a máxima atenção possível).

A maioria das editoras ou entidades que patrocinam estes concursos com segundas e terceiras intenções não têm sequer a capacidade de distribuição para que o livro esteja presente em todas as livrarias nacionais. Acreditem quando se diz que a distribuição é um dos maiores problemas no mercado editorial português e que é difícil obter uma distribuição equitativa e justa em Portugal sem ter que desembolsar uma dolorosa percentagem de lucros. Quanto muito irão colocar em algumas livrarias da zona para que os amigos do vencedor possam comprar.

Isso não quer dizer que uma editora que tenha uma distribuição limitada deva ser desprezada. Muito pelo contrário. Há muitas pequenas e médias editoras que têm desenvolvido um excelente trabalho no campo da literatura, mesmo com meios limitados. Mas quando pedem o vosso dinheiro para publicar algo que, à partida, nenhum escritor deve pagar, então é sinal de que estão a ser enganados e roubados.

O que acontece é que os preços cobrados pelas editoras pagam praticamente a totalidade dos custos de impressão (o principal gasto a cargo da editora) e ainda há uma margem que vai directamente para os seus bolsos. Mais ganham se os amigos dos amigos dos vencedores comprarem.

Lá fora são muito frequentes estes esquemas de angariação de dinheiro, embora em Portugal se tenham começado a fazer notar mais nesta última década. Não vou apontar nomes mas existem. A Épica tem tomado conhecimento de vários casos, e muitos nos pedem conselhos sobre se vale a pena ou não participar em tais concursos.

Recomendamos é que não arrisquem às cegas porque publicação nem sempre é sinónimo de ser-se escritor. Nos últimos tempos, tem sido cada vez mais fácil publicar-se um livro com quase a mesma qualidade que uma casa editorial profissional, por metade dos custos. E é preciso desenvolver a auto-consciência de que nem sempre o que se escreve é bom e publicável, por mais que custe a admiti-lo.

Para obterem mais informações, recomendo a leitura deste artigo da parte do Science Fiction Writers of America sobre as fraudes literárias, concursos e esquemas que têm como alvo escritores.

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Estamos prestes a revelar o segredo mais bem guardado de todos os tempos. Joe Hill é filho de Stephen King. Ou talvez não seja afinal o mais bem guardado de todos os tempos, embora tenha sido em tempos antigos. Apesar do nome gigante do pai e do seu inestimável contributo para a literatura de horror norte-americana (quem nunca leu ou viu um filme baseado na obra de Stephen King?), Joe Hill não é nenhum mero jovem e inexperiente escritor que tenta ganhar um nome à custa do pai, muito pelo contrário.

É, na realidade, um escritor muito talentoso e o seu primeiro livro Twentieth Century Ghosts, uma colectânea de catorze contos, já então revelava uma voz fresca e segura no domínio da ficção de horror, tendo recebido o Bram Stoker Award e o British Fantasy Award for Best New Horror.

Joe Hill começou a fazer o seu nome graças a editoras independentes britânicas e norte-americanas, tendo visto vários dos seus contos e noveletas publicados em revistas e antologias, algumas comercialmente bem sucedidas. Embora há anos circulassem rumores sobre a sua identidade, em 2007 confirmou publicamente a sua relação com Stephen King.

Em Fevereiro de 2007, publicou o seu primeiro romance, Heart Shaped Box, e rapidamente tornou-se um enorme sucesso literário, tendo atingindo a lista de livros mais vendidos da New York Times.

Mais recentemente, o autor deu início à criação de uma série de banda-desenhada, Locke & Key, em colaboração com a IDW Publishing.

Agora disponível na edição portuguesa, A Caixa em Forma de Coração, o leitor português tem acesso a uma das vozes mais criativas do género do horror a surgir nos últimos anos, autor de um romance que conta a história de um coleccionador de curiosidades mórbidas que se vê envolvido numa perigosa confrontação com fantasmas que não descansarão até obterem vingança.

Judas Coyne colecciona o macabro: um livro de receitas para canibais… uma corda usada num enforcamento… um filme snuff. Uma lenda do death metal de meia-idade, o seu gosto pelo bizarro é tão conhecido entre a sua legião de fãs como os excessos da sua juventude. Mas nada do que ele possui é tão inverosímil ou tão medonho como a sua última descoberta…

Um artigo à venda na Internet, uma coisa tão estranha que Jude não consegue resistir a pegar na carteira. “Vendo” o fantasma do meu padrasto a quem fizer a licitação mais alta. Por mil dólares, Jude tornar-se-á o orgulhoso dono do fato de um homem morto que se diz estar assombrado por um espírito inquieto. Ele não tem medo. Passara a vida a lidar com fantasmas – o fantasma de um pai violento, o fantasma das amantes que abandonara sem compaixão, o fantasma dos companheiros de banda que traíra. Que importância teria mais um? Mas o que a transportadora entrega à sua porta numa caixa preta em forma de coração não é um fantasma imaginário ou metafórico, não é um benigno motivo de conversa. É real.

O livro será adaptado para o cinema num filme a ser realizado por Neil Jordan, a estrear em 2010.

A Caixa em Forma de Coração, CIvilização Editora, P.V.P.: 16,50 €

Site para A Caixa em Forma de Coração (inglês)

Site oficial de Joe Hill

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