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Archive for Fevereiro, 2006

Novidades de Espanha


Foram lançados recentemente no nosso mercado dois livros que se aproximam da literatura fantástica.

A Pele Fria, de Albert Sánchez Piñol, conta a história de sobrevivência de duas pessoas num farol, perante as incursões de um grupo de fantásticas criaturas marinhas. Comparado aos escritos de Stevenson, Conrad e HP Lovecraft, este livro foi um dos grandes sucessos da literatura catalã.

O Sotão, da autoria de Gabi Martinez, faz-nos acompanhar um personagem que se fechou num quarto para criar o videojogo absoluto em termos de imersão.

A Pele Fria, Editoral Teorema, ISBN: 972695651x, pvp: 16 euros
O Sotão, Má Criação, ISBN: ?, pvp: 14,70 euros

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Do mundo da Banda Desenhada, chega-nos através da Devir uma série arrojada de fantasia, construída pela dupla Kurt Busiek e Carlos Pacheco, uma equipa já com provas dadas na série Avengers Forever.

Uma nova colaboração entre o escritor e ilustrador teve como resultado 6 números da série Arrowsmith, nomeada para o prémio Eisner, e que foram publicados na forma de graphic novel com o título Arrowsmith: So Smart in Their Fine Uniforms, conhecido em português como A Guerra da Magia.

Arrowsmith

Kurt Busiek dá nova vida às histórias de luta e coragem durante a I Grande Guerra, ao criar a personagem de Fletcher Arrowsmith, um rapaz natural de Connecticut, filho de um ferreiro, que se deseja alistar como aviador e combater contra os inimigos prussianos. Embora esta premissa não constitua nada de novo em relação às histórias de guerra, está longe de se tornar a típica história do soldado que se alista e combate nas trincheiras.

Até porque no mundo bélico de Kurt Busiek, a tecnologia foi substituída pela magia. As metralhadoras, granadas, gases e todo o arsenal utilizado nas primeiras décadas do séc. XX foram substituídos por encantamentos e feitiços. Ao lado de Fletcher, combatem ogres, trolls, dragões, em combate mortal contra outras criaturas míticas aliadas aos prussianos, vampiros e lobisomens. Em vez de aviões, são homens que sobrevoam os céus, numa aliança invulgar entre homem e dragão ( um pouco a lembrar a série dos Dragões de Pern de Anne McCaffrey), lutando com espadas e encantamentos.

Embora possa parecer forçada essa introdução da magia na sociedade europeia dessa época, é com uma espantosa adaptação e respeito às convenções da época que Pacheco e Busiek desenvolvem a história de Arrowsmith. Num traço excelente, elegante, vivaz e preciso, Pacheco reconstrói com rigor a arquitectura das cidades europeias do Continente, o vestuário de época, os trajes militares, combinando-os com enorme facilidade a elementos fantásticos. Gárgulas a ganharem vida no topo dos monumentos de Paris, exércitos de zombies a ameaçarem os habitantes que passeiam pelas ruas, experiências na Academia de feitiçaria tornam-se lugar comum numa época em que não se podem olhar a meios para atingir os fins.

Instalado já o cenário em que se vão mover as personagens, dá-se início então à odisseia de Fletcher Arrowsmith, um jovem que se deixa deslumbrar inicialmente por todo o idealismo tóxico que envolve a guerra. Um grande admirador dos aviadores da Divisão Aérea Ultramarina, Fletcher alista-se na Divisão contra a vontade paterna e começa o seu treino de aviador. Um jovem ingénuo e sem nenhumas qualidades excepcionais, Fletcher está longe do arquétipo de super-herói que salva vidas em perigo. Não quer dizer que Arrowsmith não cumpra o seu dever, mas ele é acima de tudo um jovem como qualquer outro que se alistou na guerra pelas razões erradas.

A pouco e pouco, o idealismo do jovem sucumbe ao desencanto e desilusão, e face às mortes dos seus camaradas, cedo nasce o sentimento de culpa por estar vivo enquanto os amigos morrem à sua volta. Kurt Busiek nunca comete o erro de permitir que a magia invada a sua história e se torne numa questão maniqueísta de luta entre o bem e mal. O mundo da feitiçaria é relegado para segundo plano, face à vontade do argumentista em expor uma crítica social incisiva sobre os horrores da guerra e o seu efeito nos soldados. A série vai progredindo numa direcção cada vez mais negra e as cartas que Arrowsmith escreve são uma evidência da sua perturbação e horror pelas atrocidades a que é forçado a cometer.

O ponto culminante é atingido na destruição acidental da cidade de Holbruck, provocando um sem número de vítimas civis. A consciência de Fletcher é atormentada pela desumanidade a que assistiu e os demónios libertados pelos feiticeiros reflectem os seus próprios demónios interiores que o vão consumindo. Cabe então a Arrowsmith voltar a encontrar um sentido de vida que justifique a guerra que destruíra a sua inocência, talvez alcançando esse sentido, em parte, graças ao amor e a amizade.

Arrowsmith: a Guerra da Magia trata-se no fundo de uma parábola da Europa dilacerada por guerra e que, embora recorra a artifícios medievais impressionantes e bem pesquisados, deseja assumir-se como uma reflexão sobre os horrores de um mundo que parece auto-destruir-se mas, apesar de tudo, Fletcher nunca se deixa abater e cair no desespero e ainda mantém a sua crença num futuro luminoso em que a vida possa ser celebrada.

Um excelente álbum de fantasia, e que dá nova vida ao velho cliché do jovem soldado inocente que morre lentamente e que vive na sombra dos seus tormentos. Mas Fletcher Arrowsmith resiste e aguardamos as suas próximas aventuras com grande expectativa.

Argumento: Kurt Busiek

Desenhos: Carlos Pacheco

Devir, Álbum US, 160 págs, cor PVP: 16€

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Coisa Ruim

Pela primeira vez na história do festival, o Fantasporto 2006 abre a competição internacional com um filme nacional. A honra coube ao novo filme de terror Coisa Ruim, com realização de Tiago Guedes e Frederico Serra, e que estreia esta noite, dia 24, no Teatro Rivoli.

BadBlood

Baseado num argumento original de Rodrigo Guedes de Carvalho, a longa-metragem conta a história de um a família lisboeta que recebe uma casa no interior como herança. Mas com a casa vem uma maldição em que os mortos se querem vingar dos vivos. Descrito como uma narrativa que combina o genuíno fantástico etnográfico português com os temas do terror “tout court”, esta nova iniciativa cinematográfica promete levar os espectadores portugueses às salas de cinema com uma produção de qualidade surpreendente e um elenco que tem sido elogiado pelos bons desempenhos.

O feedback tem sido até agora positivo e o humorista Nuno Markl escreve no seu blog:

Hoje fui a um visionamento privado do filme que, se houver justiça neste mundo, será um merecidíssimo êxito de bilheteira português (mesmo, lá está, sem enormes seios). Eis um filme que aprendeu lições com o cinema lá de fora (vejo aqui influências de SHINING, O EXORCISTA, talvez de WICKER MAN e do lado mais sinistro das pequenas comunidades que arrepiava em CÃES DE PALHA, de Sam Peckimpah, mas também se nota forte probabilidade do Tiago e do Frederico terem andado a ver alguns espécimes do terror mais húmido, lento e intrigante do fantástico oriental), mas que não deixa de ser um pedaço de cinema profundamente português.

Tiago Guedes já realizara uma longa-metragem, o telefilme Alta Fidelidade que estreou na SIC em 2000, e várias curta-metragens. Coisa Ruim é o seu primeiro trabalho para o cinema e tem estreia nacional marcada para 2 de Março.

Título original
Coisa Ruim

Realização
Tiago Guedes e Frederico Serra

Intérpretes
Adriano Luz, Manuela Couto, Sara Carinhas, Afonso Pimentel, João Santos, José Pinto, João Pedro Vaz, Elsa Lisboa, Filipe Duarte, Gonçalo Waddington, Maria D’Aires, Miguel Borges

Duração
100 min.

Produção
Madragoa Filmes, ICAM, RTP

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The Eyes of the Overworld

Jack Vance
The Eyes of the Overworld

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Novas publicações

2006 brinda-nos com uma nova série de publicações, que nos dão a conhecer novos autores, com algumas inevitáveis sequelas, sendo a fantasia claramente dominadora neste início de ano, e dando mostras de continuar a marcar o passo nos próximos tempos.

A Editorial Presença, cuja colecção Via Láctea ainda continua num bom ritmo de publicação, destaca Joseph Delaney, um autor britânico estreante. Inspirando-se em antigas lendas folcróricas, escreveu O Aprendiz do Mago, a história de um rapaz de treze anos, Thomas Ward, sétimo filho de um sétimo filho, e que se irá tornar o discípulo de um velho feiticeiro.

Uma jovem autora italiana também recebe honras de primeira publicação, com o 1º volume da trilogia Crónicas do Mundo Emerso – Nihal da Terra do Vento. A autora, Licia Troisi, licenciada em Astrofísica, envereda pelo caminho da high-fantasy a que já nos habituámos a ver sair da pena de jovens escritores, ao ofertar-nos uma história com elfos, monstros e guerreiros.

novidades

O britânico Philip Reeve, autor bem sucedido de literatura infanto-juvenil, vê publicado em português o último volume da sua trilogia, Máquinas Infernais cuja série começou em 2001 com Engenhos Mortíferos, e mais tarde, O Ouro do Predador. A série continua a seguir as aventuras do casal Tom e Hester que vivem num estranho mundo pós-apocalíptico, tendo encontrado refúgio em Anchorage, a sumptuosa e decadente metrópole, agora sedentária, na costa do Continente Morto (a América do Norte), onde a natureza se regenerara o suficiente para oferecer um ar respirável e um território reverdecido.

Marion Zimmer Bradley, autora mundialmente reconhecida pelo afamado quarteto As Brumas de Avalon, também se aventurou pelo campo da Ficção Científica através da série Darkover. Em 2004, a editora Difel publicou o 1º volume da série (1º em termos cronológicos de história, embora não o primeiro a ser escrito, note-se que é um conjunto de séries composto por mais de uma dezena de volumes), Aterragem em Darkover. Um novo volume da série foi publicado sob o título O Desterro de Sharra e explora as fundações míticas do mundo de Darkover.

A mais perigosa ferramenta de magia existente em todo o planeta Darkover era a legendária e abominável Matriz de Sharra. Dando forma à imagem de uma mulher acorrentada envolta em chamas, esta Matriz era a derradeira arma que restava das Eras do Caos, uma época em que o laran tinha andado descontrolado e durante a qual, os conflitos entre Domínios quase tinham destruído toda a vida do planeta. A Matriz de Sharra fora desterrada para fora do mundo, para um dos distantes planetas do Império Terráqueo, confiada à responsabilidade de um dos nobres que mais haviam sofrido com o seu uso: o Lorde Comyn Lew Alton.

Bradley, Marion Zimmer; O Desterro de Sharra; 2006, Difel P.V.P: 18€

Delaney, Joseph; O Aprendiz do Mago, 2005, Editorial Presença. P.V.P: 12.50€

Reeve, Philip; Máquinas Infernais, 2006, Editorial Presença P.V.P: 12.50€

Troisi, Licia; Crónicas do Mundo Emerso, 2006, Editorial Presença P.V.P: 15€

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A editora Saída de Emergência inicia o ano 2006 com uma aposta na ficção nacional. David Soares, o autor de obras como Mostra-me a tua Espinha, Mr. Burroughs e Trevas Fantásticas, lança a 6 de Fevereiro novo livro – Os Ossos do Arco-Íris – com apresentação do crítico João Seixas (Os Meus Livros).

No mesmo local e hora, João Seixas irá também realizar a apresentação da estreante Ágata Ramos, autora de O Senhor Bentley: O Enraba-Passarinhos, uma obra de forte componente satírica e bizarra que promete alucinar os seus leitores.

Não percam, dia 6 de Fevereiro, na livraria Bertrand do Vasco da Gama, encontro marcado às 18.30.

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Entre os dias 16 e 19 de Fevereiro, o Parque de Exposições de Aveiro acolhe o Anime Weekend um conjunto de actividades dedicadas à divulgação da cultura japonesa.

O Anime Weekend Aveiro 2006 (AwA) será o primeiro grande evento em Portugal que conseguirá reunir várias tendências da cultura moderna Japonesa.
De 16 a 19 de Fevereiro, no Parque de Exposições de Aveiro irá acontecer o que há muito aguardavas. Anime, exposições, concertos, ateliers, workshops, cozinha japonesa, para além de cosplay, livrarias, editores, sites, manga, karaoke,…

GitS

A oferta cinematográfica pauta-se por alguns dos animes mais mediáticos da última década, Akira, Ghost in the Shell 2 e os filmes de Miyazaki, mas a cereja no bolo será a oportunidade de participar nos vários ateliers dedicados, nomeadamente, a Origami, Shiatsu, Manga Manual, bonsai, entre outros.

Os visitantes poderão também assistir a vários espectáculos que prometem cativar o público e dar-lhe a conhecer as várias vertentes da cultura nipónica, tanto na forma de recitais de flauta, como na execução de cerimónias de chá, ou até mesmo através de imagens interactivas.

Não perca, em Aveiro, estes quatro dias de viagem em conhecimento do Japão.

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