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Como alguns já saberão, embora ainda não tenha sido feito nenhum anúncio oficial, a organização do Fórum Fantástico anunciou que em 2009 não haverá nenhuma edição do Fórum.

As razões são várias mas prendem-se principalmente com dois motivos: a actividade profissional exigente e que se tornou prioritária dos organizadores, já seriamente desgastados depois de cinco anos a organizarem consecutivamente um evento com o peso e a responsabilidade do Fórum.

Outro motivo prende-se com as frustrações e obstáculos crescentes resultantes da falta de apoios e subsídios para o evento. O nosso público sabe como sempre foi complicado arranjar um local estável para o evento, forçados a mudar constantemente desde 2005.  Não era problemático enquanto fosse possível contar com os subsídios de instituições. Infelizmente, devido ao agravamento da crise económica, as instituições foram forçadas a fazer cortes orçamentais drásticos. Desta forma, perdemos TODOS os apoios financeiros públicos que permitiam a realização do evento e a presença de autores estrangeiros, sendo que os apoios privados em si não são suficientes para manter o evento.

Embora a hipótese de um evento exclusivamente nacional não tivesse sido colocada fora de questão, optou-se antes por uma pausa de organização de modo a repensar o evento e a sua sustentabilidade, bem como tentar adquirir mais meios e colaborações que permitam um Fórum estável e em crescimento. Mas nem tudo são más notícias.

A Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras, prontificou-se a a abrir generosamente de novo as suas portas em 2010, pelo que vai haver um Fórum Fantástico 2010, marcado para o mês de Novembro.

Até , serão feitos os possíveis para organizar um evento que nos deixe a todos orgulhosos e com imensas expectativas para o futuro. Todos são livres de contribuir com ideias  e o vosso apoio é essencial para a próxima edição. Ajudem-nos a crescer e a fazer algo que só o Fórum conseguiu fazer nos últimos anos: chamar a atenção para a vitalidade, diversidade e potencial da literatura fantástica que merece toda a dignidade possível.

Este ano localizado na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, em plena zona histórica do Chiado, o Fórum Fantástico continua a ser um ponto de encontro para os vários meios relacionados com o fantástico.

Literatura, cinema, artes gráficas, de tudo poderá ser encontrado nesta quarta edição consecutiva do FF.

Podem já observar a ilustração que servirá de cartaz ao FF2008, da autoria do designer Pedro Marques. Um Padrão dos Descobrimentos, em ruínas, numa paisagem inóspita. Será em Lisboa, será num outro planeta? Fica à vossa imaginação…

Como cabeça de cartaz, teremos este ano o escritor britânico Richard K. Morgan. Recentemente galardoado com o Prémio Arthur C. Clarke pelo seu sexto romance, o autor virá a Portugal lançar Carbono Alterado, o seu romance de estreia, um cruzamento entre o género policial e a ficção científica, que lhe mereceu em 2003 o Prémio Philip K. Dick.

Elogiado pela crítica e pelos leitores anglo-saxónicos, os direitos para cinema de Carbono Alterado foram já adquiridos por Joel Silver, produtor de filmes como V de Vingança, Predador e Matrix.

A vinda de Richard K. Morgan é patrocinada pela editora Saída de Emergência.

Também no panorama nacional teremos lançamentos em exclusivo, homenagens e apresentações de autores e académicos. E o FF2008 dará uma atenção especial ao audiovisual, com a exibição de várias curtas-metragens portuguesas, com a presença dos seus realizadores.

Mas isso são novidades que iremos divulgando aos poucos nas próximas semanas. Para se manterem actualizados, consultem a nossa página nas próximas semanas.

Este verão, destacam-se três lançamentos fora das habituais sequelas de livros de fantasia já existentes no mercado português.

São eles Ar de Geoff Ryman pela Gailivro, O Dragão de Sua Majestade de Naomi Novak da Editorial Presença e Leões de Al-Rassan de Guy Gavriel Kay da Saída de Emergência. Três excelentes escolhas nos géneros da ficção científica e fantasia histórica nos casos de Novak e Kay.

Geoff Ryman é um escritor de ficção científica que estabeleceu a sua reputação como um dos mais interessantes e aclamados autores da literatura especulativa com Ar (Air). Natural do Canadá, e a viver actualmente na Inglaterra onde lecciona na Universidade de Manchester, ganhou notoriedade com a sua novela The Unconquered Country, vencedor do World Fantasy Award e British Science Fiction Award.

O seu primeiro romance de sucesso foi Child Garden (1990), a descrição de um mundo transformado pelos progressos da engenharia genética e onde o cancro foi curado. O livro foi traduzido para português na extinta colecção Limites da Clássica Editora como Jardim da Infância.

Na década de 90 e inícios do novo século, seguiram-se Was e Lust , mas é em 2005 que volta a concentrar atenções com Ar, que conquistou três prémios, incluíndo o Prémio James Tiptree Jr.

Ar (Ter ou Não Ter) é um livro de ficção científica que conta a história de Chung Mae que é a única ligação entre os seus vizinhos e a cultura de um mundo mais abrangente, e que vai para além dos campos de cultivo e das casas simples da sua aldeia. Uma nova tecnologia de comunicação, que promete colocar toda a gente em contacto, em qualquer lugar, sem precisar de linhas eléctricas, computadores ou máquinas, está a invadir o mundo. Esta tecnologia é o Ar. O teste inicial do Ar corre terrivelmente mal e algumas pessoas morrem devido ao choque. Imparável, o Ar chegará com ou sem a aceitação da aldeia de Mae. Ela é a única que sabe como o dominar e como preparar a população para a sua chegada. Mas será que lhe vão dar ouvidos? Ou será tarde demais?

O Dragão de Sua Majestade (His Majesty’s Dragon) é uma fantasia histórica da autoria de Naomi Novak que se tornou famosa com a notícia em 2007 de que o realizador Peter Jackson comprara os direitos de adaptação da série Teméraire. A obra valeu-lhe os prémios Locus e Crompton Crook, por melhor primeiro romance.

Naomi Novak, natural de Nova Iorque, explora o cenário das Guerras Napoleónicas e cria no seu meio uma força de dragões pilotada por aviadores britânicos, determinados a lutar contra Napoleão e impedir o avanço do seu exército. Este é o primeiro livro da série Témeraire, e a autora recentemente lançou o 5º volume, Victory of Eagles.

Para uma resenha mais completa, podem ler o texto da minha autoria aqui.

E por fim, já se encontra disponível também Os Leões de Al-Rassan (Lions of Al-Rassan) do canadiano Guy Gavriel Kay. Kay, conhecido entre os fãs de JRR Tolkien pelo seu trabalho de edição de O Silmarillion juntamente com Christopher Tolkien (o filho), teve o seu primeiro sucesso com a trilogia de fantasia de inspiração Tolkieniana/Arturiana A Tapeçaria de Fionavar (publicada em português na Argonauta Gigante).

Mas foi no género da fantasia histórica que provou o seu talento em obras como Tigana, The Sarantine Mosaic, The Last Light of the Sun e Leões de Al-Rassan, uma narrativa grandemente inspirada nos acontecimentos históricos da Península Ibérica durante o domínio mourisco e árabe.

Numa terra onde dominam três raças distintas, os Asharitas, Jaditas e Kindath, irrompe um conflito de civilizações que implica consequência devastadoras como guerra, traição e violência. Criando personagens memoráveis pertencentes a estas três raças distintas como Ammar ibn Khairan de Aljais, um soldado poeta de grande influência e poder, a física Jehane e o mercenário Rodrigo Belmonte , Kay narra com grande lirismo e intensidade emocional uma poderosa e excitante história que irá ditar o fim de velhos impérios e o início de uma nova era.

Três escolhas dentro da literatura fantástica que aplaudimos e que já se encontram disponíveis nas livrarias portuguesas.

Ar, Ter ou Não Ter, Geoff Ryman, Gailivro P.V.P.: 17,90 €

O Dragão de Sua Majestade, Naomi Novak P.V.P: 17 €

Os Leões de Al-Rassan, Guy Gavriel Kay, Saída de Emergência P.V.P: 22,94€

Batman #608, arte de Jim Lee e Scott Williams

Batman, The Killing Joke, Alan Moore e Brian Bolland

Depois do sucesso de Iron Man este Verão, os super-heróis atacam de novo em força as salas de cinemas com o novo filme de Batman, O Cavaleiro das Trevas, realizado por Christopher Nolan, o sexto filme em torno do herói.

Criado por Bob Kane na década 30, Batman, o herói sem super-poderes e o alter-ego do magnata Bruce Wane, em conjunto com um carismático grupo de vilões, tornou-se imensamente popular ao longo das décadas e originou uma série de adaptações para rádio, cinema e televisão. Nos anos oitenta, a personagem foi revitalizada através de uma série de BD’s icónicas de autores como Frank Miller ou Alan Moore, culminando no primeiro filme de Batman, realizado por Tim Burton.

Os dois filmes de Tim Burton, Batman (1989) e Batman Returns (1992) , foram seguidos por Batman Forever (1995) e Batman & Robin (1997) de Joel Schumacher, mas a última adaptação foi de tal forma crucificada pelo público e crítica que a popularidade de Batman caiu a pique, sendo consequentemente ridicularizado e enterrado por Hollywood.

Seriam precisos outros oito anos e um realizador como Christopher Nolan (Memento, Insomnia) para ressuscitar Batman e criar uma nova imagem ambiciosa, em sintonia com o melhor que a história de Batman tinha para oferecer. Batman Begins (2005) vai de encontro às raízes da personagem, oferecendo um retrato convicente e realista de Gotham City e os seus habitantes.

E agora a sequela, O Cavaleiro das Trevas, atingiu as salas de cinema nas últimas duas semanas, desencandeado uma nova onda de popularidade massiva, que iguala o sucesso criado em torno do Homem-Aranha.

O Cavaleiro das Trevas regressa à realidade dura e negra de Gotham City, mas desta vez Bruce Wayne/Batman (Christian Bale) tem de enfentar o seu arqui-inimigo, o Joker (Heath Ledger). Muitas das expectativas do filme foram geridas em torno da figura icónica do Joker, já anteriormente bem representada por Jack Nicholson, mas a tragédia afectou a produção do filme quando seis meses antes da estreia, o actor Heath Ledger faleceu de overdose acidental de medicamentos.

Mesmo tendo já terminado as suas cenas, a sua morte súbita e prematura concentrou ainda mais as atenções num filme já de si muito esperado e popular. No entanto, esquecendo todos os acontecimentos que rodearam a produção do filme, o Cavaleiro das Trevas tem muito para oferecer em matéria de entretenimento e boa acção.

Em primeiro lugar, é sempre um prazer ver uma adaptação de um herói da banda-desenhada extremamente levada a sério, como deveria ser (longe vão os tempos da série televisiva protagonizada por Adam West…). A figura de Batman tem um lado negro que é totalmente explorado e exposto por Nolan, muitas vezes equiparando-o ao psicótico Joker. Uma nova personagem é introduzida, Harvey Dent, o procurador-geral empenhado em limpar Gotham City da corrupção e libertá-la das garras da Máfia. Mas o Joker, um criminoso com cicatrizes no rosto e maquilhagem de palhaço, tem os seus próprios planos e liberta uma onda de caos que abala os alicerces de Gotham.

Se há algo a apontar ao filme é talvez o caos excessivo. As cenas de acção sucedem-se umas às outras numa velocidade vertiginosa e por vezes torna-se difícil acompanhar o ritmo frenético. Mas algumas dessas cenas são maravilhosas (alternando com outras menos conseguidas); a abertura com o roubo do banco, as imagens aéreas impressionantes de Gotham (na realidade, Chicago) e Hong kong, o funeral do comissário de polícia, a perseguição de Batman e Joker pelas ruas de Gotham, e muitas outras que talvez devessem ter sido alternadas com mais diálogos ou cenas psicológicas em torno de Bruce Wayne, do qual infelizmente vê-se pouco. Ou dar mais destaque ao uso perverso da tecnologia para proteger os cidadãos, ao mesmo tempo que viola os seus direitos. E certamente que a tecnologia desempenha um papel importante, pois provavelmente os gadgets de Batman fariam corar de vergonha o James Bond.

O resultado final é um grandioso espectáculo com um argumento complexo e de difícil montagem, absolutamente centrado no combate ao crime, e não é inteiramente mal sucedido, embora talvez devesse ter sido mais temperado com alguma da angústia, pathos e evolução psicológica de Bruce Wayne apresentada em Batman Begins. Claro que um elenco de actores de cinco estrelas faz maravilhas e são todos extremamente competentes em representar as suas personagens, em especial, Gary Oldman como o detective Gordon, Aaron Eckhart no papel de Harvey Dent e Heath Ledger como o Joker. Mas não é despropositado referir que não basta ver uma vez, mas repetidas vezes, se queremos captar os detalhes da história na sua totalidade.

Batendo recordes de bilheteira no fim de semana de abertura nos EUA, é curioso notar que os dois maiores sucessos de 2008 tenham sido, até agora, adaptações de super-heróis ao grande ecrã, nomeadamente, o Homem de Ferro e o Batman. Estamos a viver a era dourada dos super-heróis da banda-desenhada (seja DC Comics, Marvel, ou outra qualquer) e muitas outras adaptações vêm a caminho, prontas para tomar de assalto o público e mostrar-lhe o universo rico da banda-desenhada.


O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan está actualmente em exibição nas salas de cinema portuguesas

Infelizmente, por motivos pessoais, o escritor Bruce Holland Rogers já não se irá deslocar a Portugal na próxima semana para participar no curso de escrita criativa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, nem na sessão na livraria Pó dos Livros, aqui anteriormente anunciados.

Resta-nos esperar que o convite seja um dia renovado e o autor possa, num futuro próximo, voltar a visitar Portugal.

o Verão não pára com a presença de autores internacionais de literatura fantástica em Portugal. Aclamada como sucessora de Marion Zimmer Bradley e vencedora de vários prémios internacionais, Juliet Marillier é uma das mais bem sucedidas escritoras de fantástico da actualidade.

A escritora natural da Nova-Zelândia estará em Portugal nos próximos dias 16 e 17 de Julho para promover o seu novo livro, Danças na Floresta, publicado pela editora Bertrand. Marillier atingiu o sucesso com a sua famosa saga Sevenwaters (Filha da Floresta, Filho das Sombras e Filha da Profecia), uma fantasia histórica baseada no mito celta dos seis cisnes.

Posteriormente, Marillier publicou a Saga das Ilhas Brilhantes, constituída por dois volumes, O Filho de Thor e Máscara de Raposa, tendo a autora na altura da publicação visitado pela primeira vez Portugal, a convite da Bertrand.

O contínuo sucesso da escritora levou à publicação de mais uma trilogia de fantasia histórica, As Crónicas de Bridei – O Espelho Negro, A Espada de Fortriu e O Poço das Sombras – centrado na história de Bridei, rei de Fortriu.

Presentemente, será por ocasião do novo livro da autora, Danças na Floresta (Wildwood Dancing), inspirado num conto de fadas de As Doze Bailarinas, que os admiradores de Juliet Marillier poderão assistir à apresentação e sessão de autógrafos no dia 17 de Julho, na Fnac Colombo, por volta das 18h.

Já para a semana, no dia 16 de Julho, a editora Livros de Areia promove um encontro entre o escritor Bruce Holland Rogers (autor de Pequenos Mistérios, lançado no Fórum Fantástico 2007) e o jornalista e escritor José Mário Silva (autor de O Efeito Borboleta e Outras Histórias, Oficina do Livro), na livraria Pó dos Livros, para falarem sobre e lerem micro-ficção.

Não percam esta iniciativa que se tornou graças à visita de Bruce Holland Rogers a Portugal por ocasião do curso de escrita criativa que irá ser leccionado na Faculdade de Cièncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.