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Archive for Março, 2006

Uma nova história universal da infâmiaA Livros de Areia Editores prepara-se para o lançamento de Uma nova história universal da infâmia, a tão aguardada homenagem de Rhys Hughes à célebre História universal da infâmia do escritor argentino Jorge Luis Borges.

Acompanhando a estrutura do livro original, com sete ensaios pseudo-biográficos, um conto e oito “excertos”, Rhys Hughes tece a sua homenagem num estilo muito próprio, exuberante e imaginativo, onde impera o bom humor, as referências frequentemente eruditas e os constantes trocadilhos que já quase se tornaram sua imagem de marca. O volume é complementado por três paródias adicionais, e ainda pela noveleta “A vida e o fio-de-prumo”, uma divertida e labiríntica sequela ao conto “A morte e a bússola” de Borges.

De forma a promover a edição desta Nova história universal da infâmia, a Livros de Areia convida os leitores a conhecer Rhys Hughes, que regressará a Portugal para as seguintes sessões de apresentação:

  • Porto: Sábado, 1 de Abril às 18h30
    Livraria Index (Rua D. Manuel II, 320, junto ao Palácio de Cristal)
    Informações : 226 094 805/6
  • Lisboa: Segunda-feira, 3 de Abril às 20h00
    FNAC Chiado (Rua Nova do Almada, 110)
    Apresentador: Filipe d’Avillez (sub-director Os meus livros)
    Informações: 213 221 800

(Relembramos que o autor esteve presente no Fórum Fantástico de Novembro passado, onde aproveitou para lançar a sua primeira colectânea de contos em português, Em busca do Livro de Areia & outras histórias, também pela Livros de Areia.)

Uma nova história universal da infâmia estará disponível a partir do final da semana nos pontos de venda indicados no site do editor. Enquanto isso, os leitores mais impacientes podem saborear, on-line e em inglês, dois dos ensaios infames que integram esta colectânea: “The Brutal Buddha, Baron von Ungern-Sternberg” e “The Worst Hero, Dick Turpin”.

Título: Uma nova história universal da infâmia
Autor: Rhys Hughes
Tradução: Nuno Cotter
ISBN: 972-99829-3-7
Dimensões: 216 páginas, 220 × 145 mm
PVP: €15,00

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Stanislaw Lem 1921-2006


1921-2006

Faleceu hoje o escritor polaco de Ficção Científica, Stanislaw Lem, um dos nomes maiores do género, cuja obra fora do seu tempo atravessou décadas e sobreviveu a censura e controvérsia, aventurando-se pelos caminhos da sátira, filosofia e ciência.

Nascido em 1921, na antiga cidade da Polónia, Lwów (agora na actual Ucrânia), filho de um médico, e um voraz leitor de literatura, ciência e poesia, cedo nomeou Dumas, Verne e H. G. Wells como seus escritores preferidos. Decidiu prosseguir estudos em Medicina, o que o levou a frequentar a Universidade de Lwów. Com o início da II Guerra Mundial, foi forçado a interromper os estudos e, graças à Resistência, adquiriu falsos papéis que ocultaram as suas origens judias, possibilitando-lhe evitar os campos de concentração. Passou o resto da guerra a sobreviver à ocupação nazi trabalhando como mecânico.

Com o fim da Guerra, a Polónia passou para o controlo da União Soviética, uma situação que duraria mais de cinquenta anos. De modo a distanciar-se da anexação soviética, mudou-se para a Cracóvia onde o escritor terminou os seus estudos na Universidade de Jagiellonian. Mais tarde, enquanto trabalhava como investigador científico, começou a escrever as primeiras histórias e artigos para magazines especializadas.

Foi nos anos 50 que surgiram as suas primeiras tentativas sérias no campo da Ficção Científica, com a publicação de Astronauci[Astronautas – 1951], Oblok Magelana [A Nuvem de Magalhães – 1955], e Eden [Éden – 1959].

Os seus primeiros romances reflectem sobre as responsabilidades do indíviduo face ao progresso tecnológico e científico, mas não tardou muito para que entrasse em campos cada vez mais experimentais, e cedo as suas visões, sob a aparência de fantasias vivazes, ocultavam críticas incisivas e radicais ao regime totalitário soviético. Mas não se ficou por aí e os anos 60 revelaram-se como os mais produtivos, surgindo algumas das suas obras emblemáticas como Memórias Encontradas numa Banheira, Regresso das Estrelas e Cyberiad .

Solaris, publicado em 1961, é a sua obra mais popular e a que o tornou internacionalmente reconhecido, muito graças a duas adaptações cinematográficas; a primeira por Andrei Tarkovsky (1972) e a segunda realizada mais recentemente por Steven Soderbergh, em 2002. Ambos centram-se em aspectos particulares da obra, mas nem um nem outro terão captado toda a magnitude desse romance que lida, acima de tudo, com os limites de compreensão do ser humano. São muitas as interrogações sem resposta que nos ficam do planeta Solaris, permanecendo como um enigma que ilude as nossas percepções e distancia-nos irremediavelmente de uma cultura profundamente alienígena.

Nos anos 70, cria o herói de alguns dos seus romances, o astronauta Ijon Tichy, que surge em Dzienniki Gwiazdowe [The Star Diaries] e Congresso Futurológico, entre outros, e vem a demonstrar as suas capacidades para o bizarro e o humor negro. Por esta altura, a sua decepção em relação à Ficção Científica comecou por gerar alguns episódios de controvérsia, relacionados com o desprezo que sentia pela literatura de FC norte-americana e pela qual exprimiu sempre opiniões negativas.

Todavia, é actualmente considerado o melhor escritor de FC dos últimos cem anos numa língua não-inglesa e as suas obras ganharam admiradores por todo o mundo, sendo traduzidas para mais de trinta línguas.

Até quando um tratamento digno em Portugal da obra deste escritor, cujos livros há muito já não se encontram disponíveis nas livrarias, a não ser nas prateleiras e caixas poeirentas de alfarrabistas?

Obras publicadas na Caminho:

Memórias Encontradas numa Banheira (n.º 1)
Congresso Futurológico (n.º 31)
Viagens de Ijon Tichy (n.º 45)
A Máscara (n.º 113)

Na colecção Europa-América:

Solaris (n.º 58)
Regresso das Estrelas (n.º 66)
A Voz do Dono (n.º 90/91)
Fiasco (colecção Nébula – n.º 28)
Éden (n.º 174)

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Paul Collins
Banvard's Folly: Thirteen Tales of People Who Didn't Change the World

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The Prestige

Christopher Priest
The Prestige

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A Cavalo de Ferro tem vindo a manter uma linha editorial de qualidade e diversidade que caracteriza muitas das suas publicações. A escolha dos seus autores internacionais veio agora recair nas obras do escritor italiano Dino Buzzati.

Buzzati

Nascido em 1906 na cidade de Belluno, filho de um professor, fez os seus estudos em direito até ingressar no jornal Corriere della Sera onde permaneceria até à sua morte em 1972.

Mas Buzzati exprimiu-se muito mais para além da sua actividade jornalística. Um verdadeiro homem da Renascença, as suas paixões foram muitas, e foi na poesia, no romance, na música e na pintura que encontrou a sua voz de homenagem às paisagens italianas da sua infância e ao mundo onde a arte impregna todas as coisas. A sua experiência como correspondente de guerra no Norte de África e Sicília permitiu-lhe também uma nova consciência da angústia que permeia toda a existência humana.

As suas obras são geralmente incluídas na literatura fantástica e abordam temáticas que procuram lidar com as interrogações humanas face à vida e à morte. O onírico que povoa muitos dos seus contos reflectem muito do surreal e absurdo que invadem o labirinto da vida. Influenciado em parte por Franz Kafka, nos seus escritos encontramos a impotência humana face ao incompreensível, a solidão, a inquietude existencial, mas também um jogo de sentimentos em que operam a ironia e o sentido de humor, criando um efeito de surpresa no leitor e fazendo-o reflectir sobre a sociedade e o Homem.

Autor de numerosos ensaios, críticas e romances, em Portugal viu três das suas obras publicadas pela Cavalo de Ferro, sendo a primeira a sua obra-prima, O Deserto dos Tártaros (Il Deserto dei Tartari). É considerada pela crítica como um dos melhores livros de literatura internacional, tendo sido já adaptado para o cinema com interpretações de Vittorio Gassman e Phillipe Noiret.

Giovanni Drogo, recém-nomeado oficial, aproxima-se do seu destino, a fortaleza Bastiani, com um indefinível pressentimento de que algo na sua vida o conduz a uma total solidão. A fortaleza, enorme, amarela, situada nos limites do deserto, outrora reino dos míticos Tártaros, acolhe-o na sua misteriosa imponência. O tenente Drogo é contaminado pelo clima heróico de avidez de glória, que parece petrificar, numa espera perene, oficiais e soldados. Todos esperam os inimigos que um dia virão do Norte…

A esta alegoria da condição humana, seguiu-se a publicação de uma colectânea de dezanove contos do autor com o título Os Sete Mensageiros (I Sette Messageri).

Composto por dezanove contos, Os sete Mensageiros contém todos os elementos típicos da complexa poética buzzatiana: a sua visão labiríntica do mundo, a percepção constante do Bem e do Mal, a atenção dedicada às relações secretas entre as coisas. Os protagonistas das suas histórias são pessoas normais que, confrontadas com o fantástico, deslizam de forma natural para dentro deste, encontrando-se face a face com o sentido da sua própria existência.

Este mês foi publicado O Segredo do Bosque Velho (Il segreto del bosco vecchio), também já adaptado para o cinema, em 1993, pelo cineasta italiano Ermanno Olmi.

O coronel Sebastiano Procolo herda do seu tio parte do Bosque Velho: lugar mágico, habitado por génios, espíritos e forças ocultas com o poder de se transformarem em animais ou homens. Indiferente a esta natureza idílica o coronel tem planos bastante mais práticos para rentabilizar a sua herança, desencadeando uma guerra que diluirá as fronteiras entre o bem e o mal, contaminando a realidade de elementos fantásticos.

Dino Buzzati nunca se considerou como um escritor, apenas como um jornalista, mas o seu legado, agora mais vivo do que nunca, presenteia-nos com uma obra intemporal e consagra-o para a posteridade como um dos mais surpreendentes escritores contemporâneos.

O Deserto dos Tártaros, Cavalo de Ferro, P.V.P.: 14,40€

Os Sete Mensageiros, Cavalo de Ferro, P.V.P.: 15.50€

O Segredo do Bosque Velho, Cavalo de Ferro, P.V.P.: 15.20€

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Está patente, até ao dia 25 de Março, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, uma exposição sobre a presença da obra de Júlio Verne em Portugal.

Com apoio do Instituto Franco-Português, a Biblioteca Nacional associa-se ao desfecho do centenário da morte do escritor das 62 viagens, um dos autores mais traduzidos e lidos em todo o mundo. Nesta iniciativa, trata-se de reunir uma mostra da recepção portuguesa dessa obra, ilustrada por artistas que no nosso país interpretaram de forma mais representativa o engenho «futurista» do autor de Viagem ao Centro da Terra.

Horário: Dias úteis das 10 às 19 horas, sábados das 10 às 17 horas.

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