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Archive for Setembro, 2005

cartaz

Com o recente sucesso da literatura fantástica que tem heroínas como protagonistas, muito se tem reflectido sobre o legado feminino dentro da Ficção Fantástica e a sua importância para o género.

No âmbito de iniciativas que antecedem o Fórum Fantástico 2005, o seguinte conjunto de palestras e debate irá contar com a participação de determinadas autoras e professores académicos que irão abordar esta temática e debater o contributo da fantasia para a redefinição do papel da mulher na sociedade.

Palestras: Inês Botelho (escritora) , Luísa Fortes da Cunha (escritora), Ana Cristina Luz (escritora), Ricardo Prata (professor da Universidade Aberta) e Maria Aline Salgueiro (professora da Universidade de Aveiro). O debate contará com a moderação de Safaa Dib (Vice-Presidente da Épica).

A conferência ocorrerá no auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa, no dia 1 de Outubro de 2005, a partir das 14:30. A entrada é livre. Este evento conta com o apoio da Épica, da Câmara Municipal de Lisboa, do Serviço de Bibliotecas Municipais de Lisboa e da Livraria Escolar Editora (que estará presente com uma Feira do Livro Fantástico).

(Cartaz por Luís Rodrigues, sobre uma ilustração de John William Waterhouse, La Belle Dame Sans Merci, 1893).

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O segundo volume da trilogia da HerançaEldest – foi lançado numa sessão especial pela Gailivro no passado dia 16 de Setembro, estando agora disponível um dos livros mais aguardados pelo público infanto-juvenil.

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Cristopher Paolini, o autor de 21 anos, um grande aficcionado de high-fantasy, começou a escrever o primeiro volume da trilogia – Eragon – quando terminou o liceu. Determinado a publicar o livro, Paolini submeteu inicialmente Eragon a uma edição de autor, tendo mais tarde conseguido obter as atenções de uma editora americana que aceitou publicar o livro. Rapidamente, a obra tornou-se um best-seller e só em Portugal vendeu mais de quarenta mil exemplares.

O novo volume continua o relato das aventuras de Eragon e o seu dragão.

Eragon e o seu dragão, Saphira, acabam de salvar o estado rebelde da destruição pelas forças poderosas do Rei Galbatorix, cruel governante do Império. Eragon deverá rumar agora a Ellesméra, terra dos Elfos, onde treinará ainda mais os seus poderes de Cavaleiro do Dragão: a magia e a destreza no manejo da espada.
Muito em breve estará a caminho, na viagem da sua vida: os seus olhos abrem-se a novos lugares e a personagens terríveis, os seus dias enchem-se de novas aventuras. Mas o caos e a traição espreitam a cada esquina, e nada é o que parece ser. Não tarda, Eragon deixa de saber em quem confiar.
Entretanto, o seu primo Roran terá de travar uma nova batalha – uma batalha que colocará Eragon num perigo maior.
Será a mão obscura do rei capaz de estrangular toda a resistência? Eragon poderá não escapar com vida…

O autor vive em Montana, Estados Unidos, e presentemente trabalha no último volume da trilogia.

Editora Gailivro – PVP: 17.91euros.

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A menos de dois meses do início das conferências, O Fórum Fantástico 2005 já tem um site onde poderão consultar todas as novidades do encontro. Relembro que o evento irá decorrer entre os dias 10 e 13 de Novembro, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras (mapa disponível no site).

Em http://www.forumfantastico.web.pt podem encontrar também todas as informações relativas aos convidados internacionais e nacionais já confirmados. A programação estará disponível em Outubro, sendo constantemente actualizada ao longo do mês.

Para os interessados, chamo a atenção para o facto de o prazo de submissão de comunicações de palestras ter sido adiado para 10 de Outubro. Podem consultar o Call for Abstracts aqui.

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Começam agora as actividades, organizadas com a cooperação da Épica, que irão culminar com a realização do Fórum Fantástico 2005, de 10 a 13 de Novembro.

“A Guerra dos Mundos – Há 107 anos em conflito com Marte” é um conjunto de palestras e debate sobre a obra de HG Wells, as suas adaptações a vários meios e as obras que foram influenciadas por este livro clássico da ficção científica. Será dado especial ênfase à literatura, ciência, imagem e rádio.

A conferência ocorrerá no auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa, no dia 24 de Setembro de 2005, a partir das 14:30. A entrada é livre. Este evento conta com o apoio da Épica, da Câmara Municipal de Lisboa, do Serviço de Bibliotecas Municipais de Lisboa e da Livraria Escolar Editora (que estará presente com uma Feira do Livro Fantástico).

Palestras: João Barreiros (escritor), João Miguel Lameiras (crítico de BD), Jorge Alexandre Lopes (rádio Antena 3) e José Saraiva (cientista). Debate: João Seixas (crítico literário), Jorge Martins Rosa (professor de Ciências da Comunicação) e José Manuel Mota (professor de Estudos Ingleses). Moderação: Rogério Ribeiro (Presidente da Épica).

(Cartaz por Luís Rodrigues, sobre uma ilustração de Kevin O’Neill gentilmente cedida pela editora Devir).

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Já por diversas vezes editado em Portugal, o autor norte-americano Howard Phillips Lovecraft (1890-1937) é considerado actualmente um dos nomes mais emblemáticos na ficção de horror, com laivos de fantasia e ficção científica.

Influenciado por escritores como Edgar Allan Poe, Lord Dunsany e Arthur Machen, acaba por se revelar como um contador de histórias marcadas pelo horror gótico e o macabro, tornando-se num dos mestres da weird fiction. Na última fase da sua vida, a mais prolífica na sua carreira de escritor, dá origem àquela que viria a ser a sua criação mais popular no imaginário do horror, o Mito de Cthulhu, cujos melhores contos são agora reunidos numa colectânea pela Saída de Emergência.

Lovecraft

Com organização do Prof. José Manuel Lopes, da Universidade Lusófona, e introduções aos contos de Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft traz até junto do público nacional alguns dos contos mais marcantes do Mito de Cthulhu. Obra feita com um intenso amor pelo legado de HPL, todo o design da capa e interior procura recuperar o imaginário barroco dos contos do autor.

Esta nova colectânea, provavelmente a melhor edição portuguesa de sempre de uma obra de H. P. Lovecraft, é composta pelos seguintes contos – O Despertar de Cthulhu, A Criatura na Soleira da Porta, O que Sussura nas Trevas, O Aventesma do Escuro, A Sombra sobre Innsmouth, Com a Lua, A Sombra Vinda do Tempo, e por fim, A Celebração.

Saída de Emergência P.V.P.: 15.21euros

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Children of Dune

Frank Herbert
Children of Dune

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Farewell my Concubine

Lilian Lee
Farewell my Concubine

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Eis que, mais uma vez, a secção Ficções recebe uma contribuição de um dos autores mais prolíficos da nova ficção especulativa portuguesa, João Ventura. O autor brinda-nos com um conto – A Política Educacional Comum – onde a sua já habitual ironia marca presença, oferecendo-nos a solução perfeita para sanar todos os males do sistema educativo português…

Ora leiam e divirtam-se.

A Política Educacional Comum

por

João Ventura

Encontrei o Francisco Vasconcelos (ou Vasconcellos, como ele nunca se esquecia de lembrar: com dois éles) na tomada de posse do reitor. Fomos colegas de curso, mas já não estava com ele há vários anos, embora fosse acompanhando a sua trajectória pelos jornais. Foi efusivo como sempre. Ele era uma daquelas pessoas que quando falam connosco insistem em nos segurar no braço, como se tivessem receio que, às primeiras palavras, o seu interlocutor tente imediatamente pirar-se…


Enquanto falávamos – coisa fácil para mim, que só precisava de ir pontuando com monossílabos o seu fluxo discursivo quase ininterrupto – eu ia rememorando a sua carreira: licenciatura em física, bolsa de estudo, doutoramento em Cambridge em física teórica com uma tese sobre um tema esotérico de que já não me lembro e aposto que ele também não, regresso ao país, mesmo a tempo de ser promovido a professor associado à custa da entrada em vigor do novo Estatuto da Carreira Docente Universitária. Nessa altura fez uma inflexão no seu percurso académico: passou do departamento de física para o de ciências humanas e sociais (a leccionar “História das ideias científicas” ou qualquer coisa assim…) em pouco tempo fez a agregação e ainda em menos tempo era catedrático!
Chegado ao topo da carreira, deve ter decidido que o seu ideal de vida não era ensinar adolescentes cada vez mais imaturos e partiu para outra: chefe de gabinete de um secretário de estado, depois de um ministro, membro de várias comissões, não estando na política mas nunca verdadeiramente fora dela, conseguiu ir desempenhando um conjunto de actividades que o foram mantendo afastado das maçadas que polvilham a vida de um professor universitário.

— E agora andas metido em quê? – consegui perguntar, enquanto ele fazia uma pausa para acenar a alguém conhecido.
— Estou no comité para a formulação da PEC.
— Formulação de quê?
Olhou-me com um ar condescendente.
— Nunca ouviste falar da PAC, política agrícola comum? Pois em face do sucesso da PAC, a Comissão decidiu formular a PEC – Política Educacional Comum – que depois de ir ao Conselho de Ministros da Educação, será apresentada ao Parlamento Europeu. Foi nomeado um comité com um representante de cada estado membro e eu sou o representante português nesse comité. Voilá!
— E o trabalho vai bem?
— Melhor seria impossível, em grande parte devido aqui ao teu amigo!
— A modéstia sempre foi uma das tuas qualidades – afirmei eu, muito sério.
Ele olhou para mim, e a resposta ficou suspensa enquanto apertou a mão a dois homens de fato escuro e gravata às riscas, tão parecidos um com o outro que cheguei a pensar se não seriam gémeos (mas também estes directores-gerais, assessores e funcionários superiores a mim parecem-me todos iguais!), acenou a um casal que se encontrava um pouco mais longe (ele devia conhecer pelo menos 90 por cento dos presentes na tomada de posse…) e começou a explicar-me:
— Sabes que esta coisa dos comités em Bruxelas é uma seca. Sempre para lá e para cá, em aviões a abarrotar, um horror! Mas tinha sido nomeado e não podia dizer que não a quem tinha indicado o meu nome, percebes? (Aqui, uma piscadela de olho cúmplice). Por outro lado, isto da política educacional já não me diz grande coisa… Claro, dá jeito ser apresentado como “O Professor Francisco Vasconcellos”, mas fora isso…
Já tinha falado o ministro, já tinha falado o empossado, a cerimónia tinha terminado e a multidão começava agora a formar uma fila para cumprimentar o novo reitor. E o Francisco prosseguia:
— Safei-me da presidência do comité, porque havia um inglês muito ansioso por ficar com esse cargo e a mim não me interessava nada: isso acarretava umas tarefas extra, como sejam reuniões periódicas com o comissário da “Educação e Formação” para o pôr ao corrente do avanço dos trabalhos. Depois da primeira reunião, e enquanto esperava no aeroporto de Bruxelas o voo de regresso a Lisboa, comecei a pensar o que poderia eu fazer para acelerar os trabalhos daquele comité. E de repente, não sei se foi do gin-tonic que estava a beber, se do conforto das poltronas da sala VIP, surgiu-me uma ideia miraculosa: pegar na PAC e transcrevê-la para a PEC!
— Transcrevê-la?
— Nunca pensaste nas semelhanças entre a agricultura e o ensino? Duas actividades com um ciclo anual: selecção das sementes no início, em Setembro/Outubro a sementeira, ao longo do ano toda uma série de operações, mondar e discutir trabalhos, pulverizar insecticida e dar testes, assistir ao crescimento e estar atento às condições adversas, e no Verão a colheita, e dois meses depois estamos de volta ao início do ciclo.
Era uma teoria no mínimo curiosa, mas ele não me deu tempo para objectar e continuou:
— Dadas estas semelhanças, a ideia que tive foi pegar nas medidas aprovadas na PAC e adaptá-las ao ambiente educativo. Desta maneira já tínhamos o formato preparado e não precisávamos de estar a inventar a roda!
— Não estou a perceber…
— É natural, na universidade vocês não funcionam desta maneira, são demasiado analíticos… Isto é raciocínio por analogia. Vou dar-te um exemplo.
A fila movia-se lentamente ao encontro do novo reitor, pelo que tínhamos tempo suficiente para prosseguir a sessão de esclarecimento.
— Já ouviste falar do cultivo dos girassóis?
Perante o meu ar de estranheza, prosseguiu:
— Como a agricultura portuguesa não é competitiva, e para evitar os problemas sociais de pôr os agricultores sem nada que fazer, a CEE, agora UE, pô-los a cultivar girassóis. Mas o mais curioso é que, para receber o subsídio, só precisavam de levar os girassóis à floração. Que de resto era verificada, de forma muito high tech, por fotografia aérea, não me lembro se por satélite ou a partir de aeronaves. A partir da floração, o que fizessem com os girassóis era perfeitamente irrelevante. Podiam fabricar óleo, dá-los a comer às vacas ou simplesmente queimá-los. O que era preciso, embora nunca explicitado, era pô-los a cultivar qualquer coisa que não competisse com a agricultura francesa ou alemã.
Mais uma pausa, enquanto ele se despedia de mais alguém conhecido que já tinha cumprimentado o empossado e se retirava.
— Isto era a PAC. Como se vai passar com a PEC? Muito simples. As engenharias, as economias, são ensinadas com muito mais eficiência em França, na Alemanha, em Inglaterra… Então vamos subsidiar as universidades que encerrem esse tipo de cursos. Por outro lado, vamos também financiar as instituições que criem cursos do tipo “antropologia do desenvolvimento”, “sociologia da comunicação inter-institucional”, “psicologia da arte totémica”, coisas desse género, quer tenham ou não mercado. O ter mercado não é razão para não subsidiar um curso, importa é que não interfira com cursos existentes nos países que pagam a factura, if you know what I mean… Por exemplo, uma licenciatura em gestão de SADs até seria muito interessante em Portugal, devido à importância do futebol na nossa vida social, cultural e económico-financeira. Com cadeiras como “Futebolês”, “Futebol e autarcas”, “Relações com o fisco”,… Mas isto são pormenores técnicos. Poderia continuar-se com um mestrado e mesmo com doutoramentos nesta área…
O meu interlocutor estava agora verdadeiramente empolgado:
— Outro exemplo: o set aside. Na PAC, trata-se de pagar aos agricultores para deixarem parcelas de terreno abandonadas, sem ser cultivadas. Na PEC, podemos fazer o mesmo a alguns edifícios escolares; deixamo-los abandonados, e à medida que as ervas daninhas, os ratos, etc., os forem invadindo, farão parte de uma espécie de regresso à natureza… E nem é de excluir a possibilidade de aparecer, dentro de alguns anos, um outro programa comunitário para a recuperação de edifícios escolares degradados…
Tínhamos chegado junto do reitor. Apresentámos os cumprimentos de circunstância e saímos depois juntos do edifício da reitoria. Aí ele olhou para o relógio e disparou:
— Tenho um compromisso para o qual já estou atrasado. Temos que nos encontrar um dia destes para beber um copo…

Despedimo-nos. Fiquei a vê-lo afastar-se e na minha cabeça comecei imediatamente a passar em revista os meus colegas do departamento, com quem possa partilhar estas informações. Precisamos organizar uma task force, fazer o trabalho de casa, para estarmos preparados quando esta história da PEC nos cair em cima. Quem tiver feito isso atempadamente, está na linha da frente; e isso é o que importa quando começarem a chegar os euros de Bruxelas…
Ao fundo da rua, o meu antigo colega fazia sinal a um táxi e eu dei comigo a pensar: este Vasconcellos é um génio!

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Dark Siege

Nasceu um novo projecto de histórias de High-Fantasy em português – Dark Siege – Os Cavaleiros do Fogo .

Dark Siege

De uma colaboração entre a Beactive, Produções Interactivas, S.A. e a editora Goody, surgiu a comunidade online Dark Siege que assenta num livro Interactivo, cujas aventuras e personagens foram transpostas para o papel por Nelson Cravo, baseando-se numa história idealizada por Nuno Bernardo. Para além do livro e web-site, o projecto desenvolveu também jogos sms. Cada jogador poderá, assim, decidir os passos a tomar na aventura e a ajudar o herói a ultrapassar todos os obstáculos.

Ao longo do livro vais encontrar batalhas, que vais poder jogar no teu telemóvel e decidir o rumo da história. É como se fosses tu o autor da história! Vais poder encarnar o herói ou o vilão, enfrentar os teus inimigos e fazer história! Cada combate ganho, permite que o exército de Thoulin (o herói) possa avançar no terreno e a ti, o leitor, avançar mais duas dezenas de páginas na história. O objectivo é chegar ao décimo e último combate onde o objectivo é derrotar Lorde Morvile, o vilão!

O livro já se encontra à venda nas livrarias para os interessados em ler as aventuras dos heróis e vilões do mundo de Dark Siege.

P.V.P: 7.95euros

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A edição de 31 de Agosto do Jornal de Letras , uma das mais prestigiadas publicações no meio académico literário, destaca esta semana o Admirável Mundo Fantástico.

Uma extensa peça jornalística sobre o fantástico apresenta um ensaio da autoria de Maria do Rosário Monteiro, professora da Faculdade de Ciências Sociais Humanas e especialista em literatura fantástica, bastante elucidativo acerca das origens, definições e fronteiras do género.

Da perspectiva do ensaio, foi com o advento da literatura romântica no séc. XVIII que o Fantástico se passou a assumir como o cerne da própria obra, acabando actualmente por se dispersar pelos mais variados registos. O que une essas mais variadas formas consiste o recurso a elementos fantásticos irredutíveis, aliando-os a um forte sentido de verosmilhança.

fairies

Aborda também a questão da distinção entre a Fantasia e Ficção Científica, sendo por vezes difícil de estabelecer linhas rigídas entre ambos os géneros que se acabam por fundir, no entanto, é possível afirmar que a principal diferença acaba por se centrar na natureza do mundo criado.

O mundo fantástico não tem de ser baseado na realidade, nem nas suas regras, aceitando explicações e seres de carácter mágico ou sobrenatural. Já a ficção científica, como o nome procura indicar, assenta na extrapolação a partir de conhecimentos «científicos» e tecnológicos. Assim, toda a ficção científica tende a definir ou profetizar um futuro mais ou menos longínquo.

Mas a que se deverá o crescente sucesso desta literatura que se iniciou durante o século XX e se prolongou pelo XXI? A resposta estará relacionada com o facto de este género, tão marginalizado pelos cânones racionalistas e realistas, se ter vindo a impor num contexto histórico marcado por profundas convulsões socais, políticas e históricas, estas pondo cada vez mais em causa as concepções tradicionais e conservadoras da literatura.

Neste cenário, surge a obra de Tolkien a que é conferido o devido destaque por Maria do Rosário Monteiro. O mundo verosímil e consistente da Terra Média acabaria por influenciar profundamente toda uma geração de autores anglo-americanos, criando uma nova literatura prolífica e bem sucedida, e que acaba por consistir a principal influência na nova geração de escritores portugueses.

O ensaio conclui com o caso da Ficção Científica portuguesa, um género no qual não se tem verificado a mesma florescência, tão só pelo facto de ser um campo que exige determinados conhecimentos científicos e tecnológicos e em que se verifica um débil investimento na conjugação de uma formação literária e cultural com uma formação científica.

Ainda na reportagem, a nova geração de autores concede entrevistas ao Jornal de Letras, sendo eles Filipe Faria, Inês Botelho, Ricardo Pinto, Miguel Ávila e Sandra Carvalho.

Aparentemente, as editoras portuguesas descobriram agora o rico potencial desta literatura. Fazendo uso das palavras de Miguel Fêzas Vital, responsável da editora Difel, há um interesse que não é passageiro e um público para este tipo de literatura.

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