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Archive for Outubro, 2006

LW

Todos sabemos, através do clássico infantil de Frank L. Baum, O Feiticeiro de Oz, que a bruxa Má do Oeste é derrotada por Dorothy. Mas e se tivéssemos acesso à história do ponto de vista da bruxa?

É esse mesmo feito literário que Gregory Maguire, escritor norte-americano, natural de Nova Iorque, propõe em Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West, agora publicado em português pela Casa das Letras, sob o título, A Bruxa de Oz.

Autor de numerosos romances para crianças, com destaque para The Hamlet Chronicles, Gregory Maguire notabilizou-se por uma série de livros destinados a um público adulto em que, à semelhança de Angela Carter, subverte o cânone dos contos clássicos infantis, questionando as noções, nem sempre lineares, do bem e mal. Se em Wicked, Maguire reconta a história de Frank L. Baum, em Confessions of an Ugly Stepsister, publicado em 1999, propõe-se a uma nova versão do conto da Cinderela, da pespectiva da madrasta e meio-irmãs.

O sucesso de Wicked foi tal que levou à recriação de um musical da Broadway, já desde há três anos a ser realizado perante espectadores de todo o mundo.

Agora disponível em português, conta a história de Elphaba, uma menina de pele verde, insegura, rejeitada tanto pela mãe como pelo pai, um pastor reaccionário. Na escola ela também é desprezada pela sua colega de quarto Glinda, a Fada Boa do Norte, que só quer saber de coisas fúteis: dinheiro, roupas, jóias. Neste contexto ela descobre que vive num regime opressor, corrupto e responsável pela ruína económica do povo. Elphaba decide, então, lutar contra este poder totalitário, tornando-se na Bruxa Má do Oeste, uma criatura inteligente, susceptível e incompreendida que desafia todas as noções preconcebidas sobre a natureza do bem e do mal.

Em 2005, dez anos após a publicação de Wicked, o autor lançou a sequela, Son of a Witch, em que regressa à terra de Oz para contar a história do rapaz adolescente, Liir.

Site oficial do autor

A Bruxa de Oz, Casa das Letras, P.V.P. – 18€

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LW

O que é uma narf, interrogam-se os espectadores do último filme de M. Night Shyamalan. Outra interrogação pertinente que passa pela cabeça do público, o que pretende este filme? Chamar a atenção das pessoas para a importância das histórias e de como deve ser preservada a arte do contador de histórias de modo a que a vida ainda detenha algum sentido?

As intenções são nobres, mas o meio de as concretizar nem sempre bem sucedido. O melhor que posso dizer acerca de A Senhora da Água será o facto indisputável das suas ideias serem boas e merecerem palmas, mas a realização simplesmente não parece estar à altura, deixando-se levar por um enredo que roça, por vezes, o absurdo.

M. Night Shyamalan, ele próprio um dos protagonistas de Lady in the Water, (dispensando desta vez com as aparições hitchcockianas), tem lutado para sustentar as suas visões cinematográficas povoadas de elementos fantásticos e os seus próprios ideais sobre vida, morte e o mundo em que vivemos.

Em O Sexto Sentido, um rapaz é aterrorizado por visões dos mortos, até se aperceber da necessidade de enfrentar os seus medos de modo a que possa encontrar o seu lugar no mundo. Em O Protegido, um homem dotado de extraordinários poderes tem que lidar com a sua condição de super-herói num mundo gradualmente cada vez mais desprovido de salvação. A Vila, talvez o trabalho mais refinado e artístico do realizador, considero-o um exercício interessante sobre alienação e o desejo de salvaguardar tudo o que consideramos de mais precioso, para longe do perigo.

Em A Senhora da Água Shyamalan tenta alertar para a beleza das histórias, como podem redimir almas que sucumbiram a passividade e ao cizentismo de um mundo demasiado cruel. A narf, ou mehor, ninfa do mar (Bryce Dallas Howard), que é encontrada uma noite na piscina do condomínio no qual trabalha Cleveland Heep (Paul Giamatti), chama-se ela própria Story.

Bela e vulnerável, com uma fragilidade que quase comove o coração, uma rainha entre os da sua espécie, representa a metáfora perfeita para as histórias e é o tesouro do filme, o bem precioso pelo qual vale a pena assistir esta obra, mesmo que tudo o resto falhe. Ameaçada por forças maléficas, a ninfa procura refúgio em Cleveland Heep que terá que descobrir a sua história e desvendar os segredos do Mundo Azul.

Mas depois observamos o que rodeia a ninfa. E torcemos o nariz. E remexemo-nos desconfortavelmente na cadeira. Quase pestanejamos de sono. Acabamos por encarar o grande ecrã com um cepticismo e uma incredulidade que é tudo o que o filme merece. A antiga lenda oriental da narf é revelada aos poucos, mas o que deixa um sabor amargo na boca é a figura um pouco patética de Paul Giamatti a procurar por aqueles que irão salvar a ninfa. Uma pessoa poderia compreender perfeitamente tudo como um conto de fadas. Claro que não estão em causa os elementos fantásticos do filme, mas até contos de fadas podem falhar em produzir uma suspensão de descrença se não forem bem concebidos.

A Senhora da Água torna-se um pote de ideias mal evoluídas e mal expressas, embora as intenções sejam meritórias. Desde a bizarra introdução da personagem de um escritor destinado a mudar o mundo com a sua escrita (o próprio Shyamalan num excesso de pretensiosismo), até um sem número de personagens unidimensionais e quase caricaturais, resta a tarefa ingrata de salvar o filme a Paul Giamatti, com uma interpretação que luta por ser convincente, e acima de tudo, a Bryce Dallas Howard, perfeita e extraordinária como narf indefesa e frágil.

Uma pessoa não se pode deixar de interrogar até se Shyamalan não tinha intenções de assumir este filme como uma crítica acerbada ao papel dos críticos de cinema/livros, empenhados em destruir e desconstruir analiticamente as obras de arte até não restar nada. A personagem do crítico, que até mesmo em frente do perigo, procede a analisar tudo de forma fria, é quem mais periga a vida de Story ao induzir Heep em erro. E quando ele diz a dado momento, Já não existe mais originalidade no mundo, não será M. Night Shyamalan a questionar o papel dos críticos, demasiado implacáveis no seu estatuto?

Mas independentemente das opiniões do realizador, a personagem do crítico, quando questionado sobre um filme que vira, diz algo que confesso não ser tão despropositado referir em relação ao próprio Lady in the Water, It sucked.

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Este post serve para avisar todos os nossos leitores que o blogue do Fórum Fantástico 2006, a decorrer de 16 a 19 de Novembro, irá reunir nas próximas semanas todas as novidadades e informações relativas ao evento.

Este ano ocorreu uma mudança de local. À semelhança do ano passado, nos dias 16 e 17 o evento realiza-se na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras. Sábado, dia 18, as conferências realizam-se o dia todo no auditório do IPJ, na zona norte do Parque das Nações. O programa de dia 19 ainda se encontra por definir.

Chamo a atenção para o Call for Abstracts, já anunciado no blogue, em que se revelam as temáticas que irão orientar as conferências deste ano. Podem esperar nas próximas semanas informações sobre os autores convidados, os livros que irão ser lançados, os temas que irão ser discutidos. Muito brevemente, será também revelado o cartaz.

Todos são bem vindos a colaborar e a fazer contribuições para uma convenção que seja do agrado de todos e, por isso, não hesitem em expor as vossas questões, sugestões ou recomendações. Podem contactar-nos através de epicapt@gmail.com ou forumfantastico@gmail.com.

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A Cinemateca Portuguesa exibe esta semana dois filmes de inspiração fantástica do realizador português António de Macedo.

Os Abismos da Meia-Noite (1983) começa como um filme “realista”, em que a agente de uma companhia de seguros é encarregue de investigar a morte de um velho bibliotecário, numa cidade de província. A narrativa transforma-se quando a mulher conhece um professor de história, que se interessa pelas tradições lendárias da região.
3 de Outubro, Sala Luís de Pina, 19:30.

Os Emissários de Khalôm (1987) é um raro exemplo, no cinema português, de um filme de ficção científica. Um grupo de investigadores executa um projecto científico, com o intuito de impedir uma guerra nuclear eminente. Como acontece muitas vezes nestes casos, há um elemento imprevisto e da experiência resultam dois misteriosos seres que viajam no tempo e no espaço.
4 de Outubro, Sala Luís de Pina, 19:30.

Quem se deslocar a estas sessões poderá também contar com a presença do realizador, para alguns comentários sobre as obras.

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