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Archive for Março, 2005

O Ceptro de Fogo

Numa altura em que se avizinha a comemoração do Dia mundial do Livro Infantil a 2 de Abril, estreia entre nós uma nova escritora de livros infanto-juvenis, sob a chancela da Editorial Presença. Trata-se de Catarina Araújo, licenciada em Jornalismo, e que, recentemente, lançou o primeiro volume da série O Ceptro de Fogo, com o título O Portal dos Sonhos, em que a magia e a fantasia estão bem presentes.

O ceptro de fogo

Prestes a frequentar o primeiro ano na Academia de Fadas e Feitiçaria, este será também o início de uma série de aventuras fantásticas e perigosas que Fariel terá que enfrentar e que a levarão a desvendar vários mistérios que alterarão a sua vida para sempre… Nesta sua demanda, a menina fada terá de lutar contra forças maléficas e criaturas tenebrosas, que irão persegui-la para todo o lado pois, sem sequer desconfiar, Fariel tem na sua posse algo de muito poderoso… Mas nesta luta contra o mal, Fariel poderá contar com a ajuda dos seus amigos. Uma história mágica e repleta de seres fantásticos.

Uma série que promete deleitar os mais novos.

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A Guimarães Editores tem lançado alguns clássicos da literatura de horror e macabro, dos quais vos damos aqui conta dos mais recentes.

Mais conhecido pelo seu romance Drácula (1897), o irlandês Abraham “Bram” Stoker foi também o autor de vários contos. Seguindo o que parece ser a regra castrante na tradução nacional de colectâneas, este Contos Arrepiantes apresenta seis dos nove contos da colectânea The Dracula’s Guest and other weird stories, editado em 1914. Aqui permanecem “O Enterro das Ratazanas” (“The Burial of the Rats”, 1914), “A Profecia da Cigana” (“A Gipsy Prophecy”, 1914), “As Areias de Crooken” (“Crooken Sands”, 1894), “O Segredo do Ouro que cresce” (“The Secret of the Growing Gold”, 1892), “A Índia” (“The Squaw”, 1893) e “A Casa do Juíz” (“The Judge’s House”, 1891), e perderam-se “The Dracula’s Guest”, “The Coming of Abel Behenna” e “A Dream of Red Hands”.

Apesar de não tão conhecido como Bram Stoker, o alemão E.T.A. Hoffmann é considerado um dos percursores do Surrealismo e da moderna literatura fantástica. O uso do suspense e do sobrenatural nas suas narrativas, como pioneiro do conto fantástico, aliando o realismo ao macabro, influenciaram escritores como Kafka, Edgar Allan Poe, Charles Dickens e Nicolau Gogol. Escritor e compositor, os seus contos serviram também de inspiração a várias óperas e ballets, como o “Quebra-nozes” de Tchaikovsky.

Os contos incluidos neste primeiro volume da colectânea Contos Nocturnos (Nachtstücke, 1817) são: “O Homem da Areia” (“Der Sandmann”, 1816), “A Igreja dos Jesuítas” (“Die Jesuitenkirche in G.”, 1815), “O Sanctus” (“Das Sanctus”, 1815), “A Casa Deserta” (“Das Öde Haus”, 1817), “O Voto” (“Das Gelübde”, 1815) e “O Coração de Pedra” (“Das Steinerne Herz”, 1815).

Guimarães Editores, ISBN: 9726654882 e 9726654920, pvp: 13,50 euros.

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Crónicas de Berkeley

Como se tivessemos muitos académicos nacionais activos na área do Fantástico, começámos já a “exportá-los”. É o caso de Jorge Martins Rosa, docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, em Lisboa, que apresentou a comunicação “Exegesis ou Ele está no meio de Nós” sobre Philip K. Dick no 1º Encontro Literário de Fantasia e Ficção Científica, e que actualmente está em Berkeley, Estados Unidos, em trabalho de investigação.

Para dar conta das suas andanças por terras do Tio Sam, criou o weblog “As Crónicas de Berkeley”. Reflexões (profusamente ilustradas) sobre a FC e o dia-a-dia americano, de leitura bem-disposta.

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Sinai Tapestry

Edward Whittemore

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Feira do Livro em Lisboa

Por organização da Editorial Caminho, ocorre mais uma Feira do Livro Manuseado. Reunindo livros originários de 75 editoras nacionais, esta feira, aberta ao público na Rua Augusta, em Lisboa, de 28 de Março a 8 de Abril, das 9 às 20 horas, oferece uma grande variedade de obras a preços reduzidos.

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Ainda no âmbito das comemorações do centenário de Júlio Verne que se celebra nesta data um pouco por todo o mundo, o Museu Nacional de Imprensa no Porto vai inaugurar dia 23, pelas 15 horas, a exposição Júlio Verne na Imprensa Portuguesa.

Trata-se de uma mostra evocativa do centenário da morte de um dos mais consagrados escritores internacionais que se comemora este ano.

A exposição é composta por dezenas de publicações periódicas, revistas e livros, podendo ser vistas primeiras edições das obras de Júlio Verne, originais, em espanhol e outras traduzidas para português.

Está patente, na mostra, um original com capa dura colorida, da 1.ª edição das “20 mil léguas submarinas”, livro editado por Pierre Hetzel, primeiro editor de Júlio Verne, com o qual celebrou um contrato por 20 anos. Um exemplar da Revista Camões e vários volumes do “Bulletin de la Société Jules Verne” (estudo feito por vários autores sobre as obras do escritor) também podem ser apreciados.

“A volta ao mundo em 80 dias”, “Os filhos do capitão Grant”, e “Viagem ao centro da terra” são alguns dos livros editados pela empresa Horas Românticas e que podem também ser vistos.

Um conjunto de painéis contam a história da vida do escritor francês e num deles pode ser visto o seu famoso iate St. Michel, que aportou em Lisboa, em 1878.

O Museu destaca ainda o recurso aos folhetins pelo autor, onde desenvolveu um novo género literário.

O Museu Nacional da Imprensa situa-se no Porto, a montante da Ponte do Freixo e a cinco minutos da estação ferroviária de Campanhã.

A exposição estará em exibição na sala “Rodrigo Álvares” até 17 de Abril, todos os dias, das 15 às 20h.

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Andre Norton 1912 – 2005

Faleceu no dia 17 uma das grandes damas da Fantasia e Ficção Científica, Andre Norton, vencedora de inúmeros prémios e autora de dezenas de livros destinados ao público juvenil e adulto.

Autora norte-americana, Alice Mary Norton publicou em 1934 o seu primeiro romance fantástico The Prince Commands. Nesse mesmo ano, decidiu adoptar um pseudónimo masculino que lhe permitiria conquistar maior audiência, tendo mais tarde, adoptado legalmente o nome de Andre Norton.

Em 1958, passou a dedicar-se a tempo inteiro à escrita, iniciando a sua fase de maior produtividade literária, até que na década de 60 publica o primeiro volume da sua série de fantasia mais popular Witch World.

Ao longo dos anos esta mulher pioneira no género, a primeira a ser incluída no Hall of Fame de FC&F e a vencer The Gandalf Grand Master of Fantasy Award, publicou antologias, contos, romances, séries de fantasia juvenis; o seu último romance Three hands for Scorpio será publicado postumamente em Abril pela editora Tor Books.

A SFWA (Science Fiction & Fantasy Writers of America) já anunciou a instituição do Prémio Andre Norton, destinado a romances para jovens adultos, cuja primeira atribuição será apresentada em 2006.

Em Portugal, a autora tem um romance publicado na colecção de FC da Europa-América O Castigo dos Yurth (n.º 39).

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Festa da Francofonia

As celebrações do Dia Internacional da Francofonia evocam este ano o centenário da morte de Jules Verne, comemorado em Lisboa pelo Instituto Franco-Português, entre os dias 15 e 18 de Março.

A agenda do Instituto apresenta o evento que se desenrolará por:

Três dias em torno de Jules Verne para festejar a Francofonia

Desaparecido em 1905, há cem anos, Jules Verne conhece uma posteridade extraordinária, bem à medida das suas viagens. É um dos escritores franceses mais lidos no mundo. Ele fez-nos sonhar,através seus talentos de contador, mas, mais ainda, do seu dom de anticipação de descobertas e de técnicas, que hoje se tornaram familiares, ou quase banais.
Por ocasião da celebação anual da Francofonia,evocamos esta figura excepcional, e as suas relações com o mundo científico.

O programa inclui, entre outros eventos, uma palestra, no dia 16, sobre o autor por Jean-Michel Margot e, no dia 18, uma conferência pelo romancista Lionel Dupuy sobre o tempo e o espaço na obra de Verne.

Júlio Verne

Jules Verne, autor francês, considerado um dos pioneiros da FC e célebre pela sua capacidade visionária científica que foi motivo de fascínio para sucessivas gerações, foi o autor de clássicos como Viagem ao Centro da Terra, Vinte Mil Léguas Submarinas e Volta ao Mundo em Oitenta Dias, tendo sido múltiplas vezes adaptados para o cinema e televisão.

A sua morte há cem anos deixou-nos um legado de mais de oitenta romances. Os seus admiradores e interessados têm agora a oportunidade de lhe prestar homenagem com as comemorações da Festa da Francofonia.

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Finalmente, foi lançado pela editora Saída de Emergência o aguardado primeiro volume da Saga de Elric, Elric – Príncipe dos Dragões de Michael Moorcock.

Elric

A história gira em torno da figura de Elric, um jovem albino de saúde débil, herdou o trono de Melniboné, um reino que governou o mundo com mão de ferro durante mais de 10.000 anos, mas que agora não passa de uma nação decadente e ameaçada.

Michael Moorcock, autor britânico, foi responsável durante várias décadas pela magazine de Ficção Científica New Worlds, onde ganhou notoriedade a nova vaga de autores – New Wave – que revitalizaram a FC. A saga de Elric, a sua obra de fantasia mais popular, foi publicada pela primeira vez em 1972, ao que se seguiram várias sequelas.

Destaque para a tradução de Luís Rodrigues, editor da Fantastic Metropolis

Os interessados já podem ler o 1º capítulo aqui:

http://www.fiodanavalha.pt/Elric.htm

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Olhares femininos

E para celebrar o Dia Internacional da Mulher, o destaque vai para algumas autoras do género que deram um contributo único à redefinição do papel da mulher na sociedade e exprimiram novas perspectivas femininas, capazes de desafiar as convenções.

Antes de mais, torna-se especialmente adequado citar o excelente artigo de Teresa Sousa de Almeida A Ficção Científica em Portugal (incluído na antologia Fronteiras publicada pela Simetria) sobre o conceito de FC.

Como todos os géneros que vivem nas margens ou nas fronteiras, a FC caracteriza-se pela capacidade de absorver todos os discursos e todas as vozes da chamada contra-cultura, transformando-se numa espécie de laboratório onde se ensaiam novas formas de expressão e dando lugar, como tantas vezes tem sido denunciado, a uma espécie de pilhagem da literatura oficial. Como sempre acontece, o seu carácter marginal parece ser a razão da sua própria versatilidade. Os que habitam nas franjas das instituições são invulgarmente atentos, não se adequam aos cânones e conhecem a liberdade que a imaginação permite.

O que importa extrair daqui, mais do que o carácter marginal da FC, é precisamente essa capacidade de ensaiar novas formas de expressão, priveligiando novas vozes que buscam por afirmação.

Três autoras do género, que reflectem uma escolha pessoal minha, representam uma nova afirmação da mulher que derruba a velha ordem e impõe uma revisão das convicções ultrapassadas da sociedade pós-guerra. Três autoras que exprimem o olhar feminino, durante largos séculos, mantido numa cegueira forçada. Um olhar que agora glorificam nas suas obras, destruindo as velhas barreiras e limitações. Muitas vezes servem-se dessa liberdade que a imaginação permite para denunciar as condições ou os constantes ultrajes cometidos à mulher, daí que nesse sentido se possa falar de um feminismo presente nas obras destas autoras, são elas Angela Carter, Ursula Le Guin e Margaret Atwood.

Autoras sobejamente conhecidas do grande público, com obras geralmente associadas ao movimento feminista da 2ª metade do séc. XX. Mas o que distingue especialmente estas três autoras, é não só uma defesa da mulher e do seu estatuto social, mas a sublimação dessa entidade singular que constitui a mulher, capaz de suportar os extremos; tanto lançada ao fogo do Inferno como ascendida ao Paraíso.

Para assinalar a escolha destas três autoras, selecciono uma obra de cada uma delas, particularmente representativa da temática feminista.

Angela Carter (1940-1992), autora e jornalista britânica, editou uma colectânea de contos sob o título The Bloody Chamber (1979), uma reinvenção dos contos populares tradicionais. O que é particularmente cativante nestas histórias é o modo como as personagens femininas são revalorizadas e retratadas de forma deliciosamente perversa e com uma sistemática destruição de todas as convenções. As princesas deixam de ser salvas por princípes encantados, para serem salvas pelas mães; a jovem e inocente rapariga deixa de temer os lobos maus e cede ao seu próprio desejo, despertando assim sexualmente. Uma subversão deliciosa da tradição, plena de sensualidade e erotismo.

Ursula Le Guin (1929-), escritora norte-americana, também ganhou notoriedade pela exploração de temas feministas nas suas obras, sendo talvez a mais notória The Left Hand of Darkness , descrição de um mundo onde não existem distinções de sexo. Mas a minha escolha pessoal recai sobre outra obra da autora, Tehanu (1990), 4º volume da saga Earthsea.

Em Tehanu , uma criança foi brutalizada e deixada ao abandono até ser recolhida por Tenar, uma antiga sacerdotisa. A criança, cujas marcas físicas de violência tornaram-na frágil e repelente à primeira vista, torna-se a protegida de Tenar, mas existe algo misterioso nela, poderes obscuros estão ocultos nessa menina, e por trás da frágil aparência esconde-se uma força ímpar, que transcende o mundo humano de Terramar. É um livro curioso dentro desta saga, tão só pela perspectiva feminina dominante, e acaba por comover com a descrição da força e coragem de Tenar e a pequena rapariga.

Margaret Atwood (1939-), escritora canadiana, escreveu uma obra de FC que dá continuidade à tradição distópica, The Handmaid’s Tale (1986), onde na República de Gilead, as mulheres vivem um autêntico pesadelo; foram tornadas indivíduos de segunda classe, sem direitos nem liberdade, e utilizadas para fins reprodutores. A Handmaid invoca o seu passado e descreve essa sociedade pós-apocalíptica em que as mulheres perderam todo o direito à sua individualidade e identidade.

Três olhares femininos, três abordagens sobre a mulher emancipada, ou pelo menos, com direito a essa emancipação. Mulheres que exprimem mulheres.

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